PRÓLOGO
Abri meus olhos, como sempre podendo desfrutar daquela melodia tão linda e ao mesmo tempo incompreensível para aqueles que não estão mortos, e nem que vivem eternamente.Olhei para o meu lado esquerdo e logo pude notar cinco potes grandes de sangue em cima do criado-mudo do quarto luxuoso onde eu me encontrava, minha insaciável fome não me deixara nem ao menos olhar ao redor, tomei cada pote tal como um humano bebe um copo de água no limite de sua sede.
-Minha nossa, dessa vez você acordou mesmo com uma fome bastante impulsiva, não é? Me sinto até mesmo inseguro preso aqui neste quarto com um vampiro faminto e assustador me olhando assim-Começou Salazar sarcasticamente, o mesmo homem que tocara a mesma melodia para o meu despertar, desde a primeira vez.Sempre com a mesma aparência de um homem adulto, branco, com um bigode fino e curto, e com um terno negro de mordomo de castelos antigos.
-Salazar!-Chamei, enquanto pegava o quarto pote-O que planeja para mim desta vez?
-É bem simples, meu caro Gregory.Porém, como já é de praxe, você tem um dia para andar sobre a terra e amanhã, no segundo dia de inverno, eu direi a você o seu trabalho
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Sunheart high school-Capítulo 2- Oscar Warren Elliot Nicholas-
Quando acordei pela manhã,vi o quanto eu estava realmente cansada e fiquei surpresa ao ver minhas malas vazias.Fui olhar o armário do meu lado do quarto e vi que alguém havia arrumado todas as minhas roupas e que Aya já havia levantado,pois sua cama já estava feita.Pude concluir que só podia ter sido Aya a arrumar o meu armário e fiquei impressionada de como ela era prestativa, também percebi que ainda não havia notado nenhuma imperfeição nela.Era incrível.
Aya não estava no quarto,então fiquei me perguntando onde ela estaria,já que não podíamos sair do quarto antes do toque de alvorada que deveria tocar logo.Tomei um bom banho relaxante e purificador e vesti o uniforme da Sunheart,nós podíamos escolher entre saia xadrez ou calça jeans escura e eu preferi a calça jeans e a camiseta rubra com as iniciais da Sunheart.Até que o uniforme compensava bem o que eu usava na outra escola,a calça era bem brega e a camiseta também.Terminei de me vestir e abri a porta para procurar Aya e perguntar o lance do armário.Logo que abri a porta,pude ver Aya em uma das janelas da torre,que éram bem grandes e tinham uma espécie de bancos embutidos na parte inferior,onde Aya estava instalada lendo um livro.Me aproximei e ela me notou.
-Hum...acordou cedo,Cass?-Perguntou Aya, sorridente como sempre.
-É,dormi bem a noite e acordei bem disposta hoje,principalmente depois do ótimo banho que tomei.-Respondi, sorridente.
-Oh! Desculpe Cass,eu nem te dei "bom dia" antes de tudo.
-Tudo bem,eu sempre achei o "bom dia" uma cortesia chata e já que somos amigas,acho que nem tem necessidade.O que você acha?
-É verdade...-Aya fechou os olhos sorrindo e parecia muito feliz.-Então,nós somos mesmo amigas?
-Mas que pergunta,Aya.Eu deveria ser sua amiga só de você conseguir deixar meu nome mais bonito.-Nós duas rimos.-A propósito,Aya,foi você quem arrumou minhas roupas no armário?-Questionei logo após o curto riso.
-Ah,sim.Fui eu sim,Cass.Eu vi que você estava mega cansada ontem a noite e como eu ainda estava arrumando as minhas coisas,resolvi te poupar um tempo,mas se não gost...-Claro que não é isso,Aya.-Interrompi.-Eu adorei,é só que fiquei um pouco curiosa de quem poderia ter sido,mas já havia deduzido que fosse você.Muito obrigado,eu adorei muito mesmo a arrumação,fico te devendo essa.
-Que nada,para que serviriam os amigos.-Disse Aya.
Depois de conversarmos um pouco sobre a linda e surreal paisagem logo à frente da janela.Percebemos Ethan subindo as escadas e todos saindo de seus quartos quase ao mesmo tempo.
-Então ouviram o toque da alvorada pelo dispositivo que coloquei nos seus quartos,não é?Hum...parabéns,senhores calouros.Vejo que não ficou nenhum preguiçoso dormindo,não é?-Ethan realmente parecia um militar completamente rigoroso no que fazia.Éram seis da manhã quando ele apareceu e eu podia apostar que ele já estava acordado há muito tempo,era insuportável.-Bem,vamos descer e ir até o refeitório.Senhorita Jonna,organize a fila por favor.-Pediu Ethan.
-Sim,senhor Ethan.-Respondeu Ally,prontamente,organizano todo o pessoal como uma representante exemplar.
Descemos até o segundo andar,onde ficava o refeitório.O refeitório não era tão incrível como os outros cômodos do castelo,era composto por simples paredes pintadas de branco, mesas brancas forradas com uma toalha de mesa com as iniciais da escola e cadeiras negras com detalhes em branco.Era relativamente menor do que os outros cômodos também, mas acho que isso era porque era exclusivo para os bolsistas.A fila para o café era relativamente pequena,uma vez que somente havia na nossa turma vinte alunos e com um refeitório exclusivo.Ter um refeitório exclusivo tinha muitas vantagens.
Esperei na fila um minuto e consegui pegar meu café.Logo em seguida,avistei Aya levantando a mão esquerda e me chamando para a mesa dela,onde também havia mais uma menina que eu não conhecia.
-Cass,queria te apresentar...-Começou Aya.-Essa é Ellis Lee.Ellis,essa é Cassandra Magraph.-Ellis era uma menina bem magrinha e pelo que eu pude notar, mesmo ela estando sentada é que devia ter seus 1,70 m por aí.Ela era asiática e tinha um rosto simpático e risonho,além de cabelos negros bem lustrosos e brilhantes.
-Oi.E aí,Ellis,como vai?-Cumprimentei.
-Eu vou be...hum...Eu posso chamá-la de Cass?-Questionou-me Ellis,sorrindo.
-Claro.Esse apelido deixa o meu nome muito mais legal.-Respondi dando risos.
-Nossa,Cass!-Exclamou Ellis.-Você pegou as mesmas coisas que eu na mesa de café.Pão integral com peito de peru e salada de alface,além de termos pego até mesmo o mesmo suco,de laranja.
-Nossa,é verdade.Nem tinha notado.-Respondi,surpresa.
Isso é o que eu chamo de combinação não combinada.Caramba,gente,tinham muitos tipos de alimentos naquela mesa e vocês pegaram exatamente os mesmos.É impressionante.-Analizou Aya.
-É verdade...mas,mudando de assunto,de onde você é,Ellis?-Perguntei.
-Ah,eu sou japonesa,vim morar aqui para poder estudar em Sunheart,que dizem ser uma das melhores escolas do mundo,mas meus pais ainda moram no japão.
-E,se você não se importar,quanto você tirou no exame para a bolsa?-Perguntei aflita.Notei Aya com uma expressão irônica.
-Bem,eu tenho um pouco de vergonha mas vou dizer.Tirei oitenta e quatro por cento.Meu pai ficou uma fera por eu não ter conseguido a integral mas foi o máximo que pude fazer.
-Caramba...-Disse eu.Implorando mentalmente para que ela não fizesse a mesma pergunta.Aya quase não conseguia mais segurar o riso.
-É,caramba mesmo, só por dezesseis por cento não tirei uma nota total.Meu pai realmente não gostou nem um pouco disso,ele queria que eu tivesse tirado bolsa integral,não por não poder pagar a mensalidade,mas por puro orgulho.
-Fica fria.-Disse Aya.-Seu pai pode ficar orgulhoso com as altas notas que eu sei que você vai tirar e vai esquecer do exame em um instante.-Aya sabia mesmo como fazer as pessoas se sentirem melhor.Era uma pessoa excepcional,acho que dei sorte em conhecê-la logo de cara.
-É,espero que você esteja certa,Aya.Vamos torcer.Eu pretendo mesmo me esforçar bem mais nos exames seguintes.-Disse Ellis.Fiquei extremamente aliviada quando percebi que Ellis não perguntaria sobre o meu exame,aquilo realmente me humilharia.
Terminamos o café da manhã e logo tocou o sinal para a primeira aula,fomos até o armário onde já estavam todos os nossos livros cuidadosamente arrumados,aquilo certamente seria coisa do Ethan.A primeira aula era história com a professora Donna Mitchel.Logo que entramos na sala,analizei a sra. Mitchel dos pés a cabeça,como eu fazia com todos os meus professores para tentar adivinhar que tipo de pessoa seria.Era uma mulher de seus trinta e dois anos,baixa,cabelos curtos estilo chanel pretos e pareciam bem sedosos,olhos castanhos escuros e peso mediano.Parecia uma boa professora,mas já me enganei tantas vezes quanto a isso.
-Senhorita Magraph!-Exclamou a sra. Mitchel,me acordando do transe analítico.-A senhorita já pode se assentar.-Todos olharam para mim.Fiquei com uma cara de idiota meio sem reação.
-Sim,sra. Mitchel,me desculpe por isso...-Respondi timidamente.
-Não se desculpe e sente-se logo.Não vê que é inútil se desculpar,uma vez que não recuperará sua primeira impressão,senhorita analítica.-Arregalei os olhos ao ouvir uma voz vindo de trás que não parecia ser de nenhuma das pessoas presentes pois era meio robotizada.Virei-me rapidamente e todos também viraram.No fundo da ampla sala,havia um pequeno microfone que estava embutido na parede e um fio que passava por um buraco na mesma.
-Vamos começar a aula, então prestem atenção!-exclamou a sra. Mitchel, cortando totalmente aquele clima estranho que havia aterrissado na sala logo no início da primeira aula.
Depois daquilo, a voz do microfone se calou pelo resto da aula e ninguém mais falou nada sobre aquilo.Fiquei realmente intrigada com essa estranha e metida voz, eu definitivamente não engoli a arrogância daquela voz irritante.Achei estranho o fato de a sra. Mitchel não comentar mais nada sobre aquilo,nem sequer dar alguma explicação para todos, que certamente deviam estar bastante confusos.Aquilo não podia ser normal nem mesmo em Sunheart.
Passados os três tempos de história, chatíssimos por sinal, fomos para um pequeno intervalo de quinze minutos.Não era um intervalo comum, apenas descíamos até o primeiro andar,onde havia um amplo espaço com todos os tipos de jogos que se pode imaginar quem não fosse muito atlético, poderia simplesmente se descontrair conversando ou o que eu realmente mais estava esperando, ir à biblioteca.Pelo que pude perceber, a Sunheart se importava mesmo com o quanto os alunos rendiam, prova disso era essa recreação repentina e sem motivo, deduzi que só serveria mesmo para fazer os alunos ficarem mais centrados nas aulas posteriores.
Enquanto a grande maioria dos alunos jogavam sem parar, eu, Aya e Ellis fomos para a biblioteca para dar uma olhada rápida, afinal, o que seriam meros quinze minutos dentro de uma biblioteca, ainda mais em um lugar onde todos os lugares são incríveis.
-O que você espera da biblioteca, Cass?-Perguntou-me Aya enquanto caminhávamos.
-Bom, eu nem sei...Certamente deve ser incrível, nem posso imaginar.E você, Ellis,gosta muito de leitura?
-Pergunta isso para uma pessoa que passou quase a vida inteira lendo todos os romances que sua mãe lançava?-Eu e Aya ficamos totalmente impressionadas com aquilo.A mãe de Ellis era uma escritora. -Caramba!-Dissemos em uníssono.
-Ellis, por favor,diga pra gente o nome e o livro mais famoso de sua mãe.-Pedi anciosa.
-O nome dela é Sanai Lee, mas usa um pseudônimo, que é apenas "Nai". Seu romance mais famoso é chamado "Blue Waterfall", vocês devem conhecer, pois virou um bestseller.-Responeu Ellis, enquanto estávamos boquiabertas, sem reação.
-Eu ainda não acredito que Nai é sua mãe,caramba!Sabe como isso é incrível?-Disse Aya atônita.
-É, ela é realmente incrível como escritora...-Disse Ellis,abaixando um pouco a cabeça e ficando com um olhar distante.
-Algo errado,Ellis?-Perguntei.
-Não, Cass.Está tudo bem.Mae e aí,nós vamos ficar com essa conversa mole ou vamos logo para aquela incrível biblioteca?-Perguntou Ellis,recompondo-se.
-Vamos nessa.-Respondi.Parecia que Ellis não gostava muito de falar sobre a mãe, fiquei até um pouco curiosa, mas tinha de controlar isso.
A biblioteca ficava no primeiro andar.Era exclusiva para os bolsistas,mas diferente do refeitório,era gigantesca.Deduzi que cada torre devia ter sua própria biblioteca,ficava me perguntando se as outras éram maiores do que a nossa.Fiquei impressionado com a quantidade de estantes com milhares de livros que haviam naquele lugar,de onde estávamos nem dava para contar as estantes.O lugar tinha paredes em tom de salmão,o chão parecia irreal,era branco mas nos cantos da biblioteca, haviam tons de preto e cinza em gradiente que mudavam de lugar,fazendo do chão um grande show de luzes, mas não luzes escandalozas,éram tons calmos e bem degradados.Era simplesmente incrível.No teto, um imenso e artístico sol,que parecia ter sido desenhado por um grande artista mas não me recordava daquela arte.Uma coisa curiosa era o "céu" por trás do sol,era completamente negro, como a estrela que brilha a noite, deduzi.
Já havia passado onze minutos e nem tínhamos saído da entrada de tão vislumbradas que estávamos.Era um lugar realmente inimaginável.
Caminhamos até o balcão e logo avistamos o nosso anfitrião bibliotecário,meu futuro antecessor,eu supunha.
-Que obra traz três belas jovens a essa biblioteca modesta e seu bibliotecário?-Começou o garoto.Devia ter uns dezesseis anos,cabelos loiros compridos,olhos castanhos claros,porte atlético e vestia uma calça jeans azul e camisa preta com as palavras "To you".-Ah, desculpem-Continuou.-Meu nome é Dereck Myers.-Apresentou-se ele,beijando a mão direita de cada uma de nós.
-Oi, Dereck.-Começou Aya, simpática como sempre.-Eu sou Maya Scarlett.Essas são Cassandra Magraph e Ellis Lee.Prazer em conhecê-lo.
-Nossa,me desculpe,srta.Maya,desculpe a franqueza mas...-Ele parou um pouco,olhou para os lados,seu rosto branco como papel ficou vermelho como tomate.-Você é extremamente linda...é...me desculpe...-Depois disso,Aya que também tinha a pele branca, ficou com o rosto completamente corado e de cabeça baixa.
-O...obrigada.-Disse ela bem baixinho,deixando Dereck com um sorriso mega maroto no rosto.
-Bom, não viemos ver nenhuma obra específica,somente viemos conhecer a biblioteca.-Comecei.Quis fazer um favor para Aya e Dereck, de cortar aquele clima que dominava a atmosfera da biblioteca, e também porque parecia que ambos iriam explodir de tanta vergonha.
-Ah sim, por favor fiquem à vontade.Qualquer coisa que precisarem, por favor, não hesite em me chamar.Ah...e desculpe mais um vez, srta. Maya.
-Nã...não foi nada...B...bom, já estava mesmo na nossa hora, já passou do tempo recreativo repentino...F...foi um prazer,sr.Dereck.
-Mas que pena, queria que vocês ficasse um pouco mais.-Quando ele disse "vocês", na verdade,queria dizer apenas "srta. Maya".Tive que me segurar para não rir de tudo aquilo.-E, srta. Maya, por favor, me chame apenas Dereck.-Completou.
-Tudo bem, agora temos mesmo que ir.Até mais, Dereck.-Terminou Aya.Pude ver que nessa hora,Aya abriu um pequeno sorriso.
Caminhamos até a porta e pude ouvir um barulho que vinha de trás como se alguém tivesse saltado.Pude deduzir que Dereck nem mesmo esperou-nos sair para expressar sua alegria em ter conhecido Aya.
No resto do dia todas as aulas trancorreram muito bem, pude realmente notar a diferença no ensino de Sunheart, os professores éram de altíssimo nível e a qualidade de ensino era explêndida.Quando a última aula terminou, discretamente olhei para trás e o pequeno microfone ainda permanecia lá, porém não disse absolutamente nada além do que me disse no começo da aula, fiquei realmente intrigada com quem estava por trás daquele microfone.Mesmo sem saber que voz era por estar modificada robóticamente, considerava irritante só de ter ouvido.Na volta para o dormitório antes do jantar, Aya conheceu mais uma pessoa, um garoto de cabelos castanhos curtos e olhos castanhos chamado Michael Mihaeel, ele estudava em Sunheart desde a sexta série e esse ano estava em nossa turma.
-Então, Michael...Você sabe alguma coisa sobre aquela estranha voz que me "atacou" no começo da aula?-Questionei, logo após nos conhecermos, apresentados por Aya, que me olhava com reprovação provavelmente por eu ser tão direta ao conhecer Michael.
-Hum...bem...eu não sei nada exatamente, Cass, mas os boatos correm por toda a escola, afinal, isso não é normal nem mesmo em Sunheart.- Respondeu Michael.
-Ah, por favor, me diga os boatos que correm!-Exclamei anciosa.
-Bom,dizem se tratar de um aluno especial, que tem um andar subterrâneo inteiro só para ele, embora nenhum de nós tenha visto nada.Dizem também que é um tipo de gênio em todas as áreas e que sempre estudou em Sunheart, mas nenhum aluno nunca o viu, exceto um aluno que diz tê-lo visto sentado na beira do rio que corre atrás de nossa torre, em meio a uma tempestade.A partir daí, dizem que ele só aparece em dias de grande tempestade, mesmo ninguém nunca o tendo visto nem mesmo em dias de tempestade comuns, e também nenhum vestígio de passagem subterrânea foi encontrada por nós.
-Mas a voz costuma falar com frequência nas aulas?-Perguntei.Aquilo estava ficando interessante.Parece que Sunheart era bem melhor do que eu pensava.
-Bom, é bem raro ela falar, desde que eu estudo aqui deve ter falado umas três vezes, e os professores parecem condescender com ela toda vez que ela fala, é até meio irritante, dá a impressão que essa pessoa é melhor que os alunos normais, pelo menos parece que os professores concordam com isso.Eles ignoram a voz como se ela não existisse e a deixa falar o que quer.-Concluiu Michael.Eu jamais poderia imaginar uma pessoa que estuda em uma escola mas nunca foi vista por nenhum dos alunos.Isso era incrível demais, e cada vez mais eu começava a ficar mais entusiasmada com tudo aquilio.
-Muito obrigado pelas respostas, Michael, foi de grande importância.
-Não foi nada...e...Cass, você gostaria de sentar ao meu lado no jantar?- Perguntou Michael meio sem graça.
-Ah!Desculpe, Michael.Aya e Ellis me matariam se eu não sentasse ao lado delas, fica para uma próxima vez, quem sabe...-Michael parecia um cara legal, mas não queria dar esperanças a ninguém.
-Bom, tudo bem, foi um prazer conhecê-las- Disse Michael apertando minha mão e a de Aya.Percebi que sua mão estava trêmula ao apertar minha mão, fiquei um pouco constrangida com aquilo.
Deixamos Michael no seu dormitório e seguimos para o nosso.
-Oh!A srta. Cassandra Magraph, destruidora de corações, nossa...-Debochou Aya no caminho para o dormitório.
-Ah, você quer jogar assim, é, srta. Maya Scarlett?-Comecei.-E o que me diz da frase "Me chame apenas da Dereck,SÓ DERECK"-Fiz uma careta.
-Hei, eu não me lembro de nenhum "só Dereck" nessa frase.-Protestou Aya.-O que a sra.Cass acha da frase "sente-se ao meu lado, meu amor, MEU AMOR"?-Aya riu extremamente alto.
-Acho que você adicionou demais nessa frase-Rimos alto, sendo observadas pelos outros alunos passando no corredor .
Chegamos no dormitório para nos prepararmos para o jantar e me deparei com um estranho bilhete em minha cama, ele dizia que eu deveria me encontrar com o diretor para consumar o meu posto de bibliotecária.Meus olhos brilhavam e minhas mãos tremiam só de pensar no fato de que eu vou comendar toda uma constelação de livros,a única coisa que me deixava meio triste era que eu tomaria o lugar de Dereck, ficava pensando se ele ficaria chateado.O bilhete dizia para eu encontrar o diretor no dia seguinte antes do jantar.Eu mal podia esperar.
Depois de tomarmos um banho muito relaxante e descansar um pouco enfim chegava a hora do jantar, eu já estava louca de fome, já que no primeiro dia, o lanche da tarde ficava por nossa conta e papai e mamãe ainda não haviam depositado meu dinheiro extra para eventuais casos como este.Eu estava realmente faminta.Quando descemos até o refeitório, tivemos uma grande surpresa, o refeitório estava fechado e o jantar não seria ali.Segundo Ethan que nos esperava na porta do refeitório, o jantar era o único evento em que todas as turmas se reuniam em um extenso salão principal.
-Onde a senhora estava que não passou o meu recado, senhorita Ally?- Perguntou Ethan, fitando Ally seriamente.
-Desculpe,sr. Ethan.Eu tive um pequeno problema esta tarde.Isso não se repetirá, eu lhe asseguro.
-Que isso realmente não se repita!Em sunheart, não cumprir com suas responsabilidades é motivo de punição, esteja avisada sobre isso, srta.Jonna.
-Novamente peço minhas sinceras desculpas, sr. Ethan.-Deu pra ver claramente que Ally estava para desabar, mas se mantinha firme sem mesmo expor nenhuma lágrima.Era óbviu que ela estava se sentindo humilhada por Ethan na frente da turma inteira, na verdade, aquilo já estava sendo uma punição.
Depois do incidente com Ally, Ethan nos guiou até o castelo principal,que ficava atrás de um imenso jardim, bem no centro das torres.Desde a entrada até o salão principal,Ethan explicou cada lugar pelo qual passamos.Era realmente de se assustar a riquesa de monumentos e estatuetas genuínas que eu nunca tinha ouvido onde tinham ido parar.O dono de Sunheart devia ser extremamente rico, principalmente porque ele deixa todas aquelas coisas na escola e não em sua residência.
Passamos por grandes salões com quadros e monumentos e descemos um corredor feito somente de pura fibra, sem nenhum quadro na parede e nenhum detalhe de cores, era incrivelmente somente de fibra.Logo após o corredor,vimos uma grande porta dupla feita toda de vidro fumê com detalhes em preto, Ethan fez uma pose engraçada,curvando seu corpo para frente e anunciando:
-Eis que lhes apresento-Disse ele colocando as mãos nas maçanetas que pareciam de chumbo-O salão principal-Terminou, empurrando as portas.
Quando as portas saíram da frente pude ver o lugar mais incrível até o momento de Sunheart.O salão era completamente revestido de vidro, pura e simplesmente vidro.Lá fora era um aquário como o fundo do mar,com diversas espécies e formas de animais marinhos que eu nem mesmo tinha visto ainda.Haviam cardumes de peixe que brilhavam em diversas cores,como pisca-pisca e pude ver até mesmo um tubarão branco enormemente assustador.As mesas éram retângulos embutidos no chão de vidro e as cadeiras pareciam extremamente confortáveis com a estrutura em preto e a poltrona revestida em azul bem escuro.O lugar era mágico e extremamente amplo, e no final do salão, havia uma grande mesa com somente uma cadeira com estrutura preta e poltrona vermelho sangue,sentado nela estava um homem largo, de camisa polo verde oliva e calça social preta, ele tinha um par de olhos azuis e era careca.Maya estava atrás de mim conversando com Ellis,as duas ainda não haviam me notado.
-Oi, gente-Comecei.
-Oi, Cass!!-Exclamaram elas em uníssono-Esse lugar é incrível, não acha?-Perguntou Aya logo em seguida.
-Certamente é um lugar muito incrível.Puxa, realmente Sunheart possui muitos alunos e este lugar comporta tanta gente assim, se não me dissessem, eu não acreditaria nisso...
-E aí, pessoas-Interrompeu-me Michael, chegando sorrateiramente.-O que três belas damas fazem paradas bem no portão de entrada do salão principal?
-Esperávamos o garçon nos mostrar nossas mesas-Brinquei.
-Hum...entendo-Balbuciou Michael, meio sem graça.
-Aya, Ellis, vocês podem ir na frente e guardar meu lugar?Eu tenho algo particular para falar com Michael...
-Bem...tudo bem, a gente guarda seu lugar sim-Respondeu Aya com um sorriso malicioso em sua face.-Até mais, Michael-Disse por fim, procurando uma difícil mesa vazia.
-Peguei o braço de Michael e o puxei para um canto reservado da sala.
-Michael, por favor, você tem que me dizer, você tem alguma idéia de quem seja a pessoa por trás daquela voz?
-Me desculpe, Cass, eu realmente não sei de nada, mesmo já estando a bastante tempo em Sunheart.
-Droga!-gritei por dentro, eu estava realmente decidida a saber quem era aquela pessoa arrogante que conseguiu me irritar, nada me tirava essa dúvida da cabeça e eu precisava descobrir.
-Desculpe, mas por que está tão interessada nisso, Cass?-Questionou Michael, confuso.
-Bem...eu quero muito dar o troco nessa pessoa pessoalmente, só isso.
-Nossa, você é bem vingativa-Disse Michael dando risadas.-Será que eu fiz certo me apaix...hum, deixa pra lá.-Concluiu.Eu sabia exatamente o que Michael diria e agradeci por ele não ter concluído o que havia começado a falar, era realmente preocupante saber dos sentimentos dele por mim, já que eu não sentia o mesmo.
-Bom, então, se eu ficar sabendo de algo, você será a primeira a saber.-Condescendeu Michael.
-Tudo bem, eu agradeço muito, Michael-Disse eu beijando-lhe o rosto e ao mesmo tempo receosa de que aquilo pudesse acender algum tipo de esperança em Michael.
Depois do beijo, Michael ficou completamente corado, corado ao melhor estilo Aya, realmente me deu muita vontade de rir, porém não o fiz para que Michael não interpretasse como deboche, eu realmente não estava pretendendo magoar um cara tão legal como ele.Michael seguiu para sua mesa e eu fui procurar o lugar que Aya e Ellis haviam guardado.Assim que me sentei, percebi que o homem careca que eu havia notado, lavantava-se, ele apertou o botão que havia no braço direito da poltrona, fazendo um som estrondoso que parecia o grito de uma baleia e propagou-se por todo o salão, voltando a atenção de todos para ele.
-Bem pessoal, desculpem o som estrondoso que acabaram de ouvir, é que seu eu tivesse gritado, vocês certamente não teriam me ouvido.-Disse o homem, simpaticamente, arrancando risos de todos no salão-Bom, para aquele que ainda não me conhecem e perguntam em suas mentes:"Quem é esse estranho homem careca e mal vestido?" ou ainda:"Tira esse coroa daí!", não é mesmo?-continuou ele, sempre com um sorriso sarcástico nos lábios.-O meu nome é Allan Marchall, mas cada um de vocês pode me chamar de All, nada de "senhor" ou "velho" ou mesmo, na língua dos jovens "coroa".Eu sou o diretor dessa escola e quero dar as boas vindas aos calouros e quero deixar um "aprontem menos" aos veteranos-Disse ele arrancando mais uma vez os risos de todos.Se ele não se chamasse "Allan", certamente seu nome seria "simpatia".-Então, é isso, pessoal.Agora eu vou parar de falar pois todo mundo deve estar realmente morrendo de fome.Podem servir!-Ordenou All por fim.Logo após ele ter ordenado, as portas de entrada se abriram e saíram dela diversos garçons vestidos com ternos com cores específicas para servir cada turma, felizmente os garçons que serviram a nossa turma, tinham o melhor gosto, estavam vestidos de preto tradicional.Até mesmo nisso Sunheart impressionava, os garçons serviam perfeitamente e toda a comida era da mais alta qualidade pelo que pude notar.
Quando o jantar estava no fim, ouvimos um relâmpago intenso que no mesmo momento, deu blackout em toda Sunheart.
-O que será que houve?-Perguntou Aya.Embora eu não pudesse vê-la, pude reconhecer sua voz fina e aguda.
-Não sei, deve ter sido algum problema com a fiação.Vocês ouviram aquele relâmpago?-Respondi.O povo falava e pareciam agitados, era engraçado ouví-los e não poder vê-los.
Tenham calma, jovens!-Exclamou All-Pude reconhecer a voz dele que vinha do fundo da sala.-Os nossos geradores serão ligados em dez minutos, não se afobem, enquanto isso, por que não jantam?-Terminou All, sarcásticamente.
-Ah!-Exclamou Aya.
-O que foi , Aya?-Perguntou Ellis que permanecia calada desde então.
-Alguém está segurando a minha mão!-Gritou Aya.Com a agitação e o falatório do povo, ninguém notou o grito estridente de Aya.Pude realmente sentir uma presença atrás de nós.
-Se acalme, srta.Aya.-Disse uma voz que vinha de trás.Era uma voz de homem e me parecia bastante familiar.
-Quem é você?-perguntou Aya assustada.
-Fico triste que não tenha reconhecido a voz do seu ilustre bibliotecário.-Naquela hora ficou claro que se tratava de Dereck.
-Ah! Me desculpe, você me assustou, Dereck.-Desculpou-se Aya.Pela voz já dava pra saber a cor do rosto de Aya.
-É verdade, Dereck, tome mais cuidado.Estamos todas nervosas aqui!-Exclamei.
-Realmente, devo pedir desculpas.Por favor, perdoem-me, em especial a srta. Aya, não foi minha intenção assustá-la.
-T-tudo bem, esqueça isso, sr.Dereck-Disse Aya
-Por favor, já disse para a srta. me chamar somente de Dereck.
-Tudo bem, me desculpe, Dereck.-Dereck demontrava um ar diferente do que quando o vimos na biblioteca parecia uma outra face dele, uma mais séria, compenetrada, até mesmo a timidez ao estar perto de Aya mudara.
-Espere um pouco!-Disse eu tocando-me de um fato curioso.-Aqui está a completa escuridão, como pôde achar Aya no meio desse breu?
-B-bem, eu...-Você está com a câmera de visão noturna, lembra irmãozinho?-Alguém interrompeu Dereck.
-Quem é você?-Perguntei.
-Hum...que mal educado, hein Dereck...nem me apresentou para suas novas amigas...
-Certo, gente, esse que vocês não estão vendo é meu irmão, Y.O.
-Y.O?Seu irmão não tem nome de verdade?-Questionei.
-Sim, ele tem, só não gosta de revelar para ninguém.Nem mesmo eu sei o nome verdadeiro dele.
-Bom, garotas, temos assusntos melhores do que o meu nome, né, por favor...
-Por que não gosta de revelar o seu nome?Por acaso não é Cassandro, é?-Brinquei.Era realmente comum um garoto com apelidos, porém um que não quer revelar o seu nome é no mínimo incomum.
Depois de alguns segundos, a luz retornou e logo se formara um tumulto no fundo da sala.
-O que está havendo lá?-Perguntou Ellis.Ela era realmente alguém de poucas palavras.
-Chamem um médico!-Era a voz de Ethan que gritava do fundo da sala.
Fomos até o fundo, empurrando e sendo empurradas por aquele mar de gente à nossa volta, pareciam perplexos.Ao chegarmos, nos deparamos com uma cena horrorosa, inacreditávelmente horrorosa, o senhor All estava nos braços de Ethan com muito sangue no pescoço, Ethan tentava estancar com sua camisa mas o sangue não parava de sair, dei conta de que Dereck e seu irmão tinham sumido desde o retorno da luz.
Os médicos entraram e logo levaram o sr.All para a enfermaria, Ethan parecia desesperado e suava bastante, era como se All fosse o seu pai ou da sua família.Aya estava em choque,sentara em um dos bancos e as lágrimas sairam devagar de seus olhos.Ellis parecia tranquila, como se nada tivesse acontecido.Além de calada, ela parecia bem fria.
Os monitores pediam que os alunos de sua respectiva turma o seguissem de volta para seus dormitódios, também pediam que todos se acalmassem.Na ausência de Ethan, Jonna tomou a frente como monitora e pedia que nós a seguíssemos até os quartos, como ainda haviam muito tumulto, tive uma idéia.Como lá fora estava uma tempestade tremenda, achei que conseguiria dar uma escapadinha e conferir se aquele rumor de que a pessoa da voz, ficava na margem do rio em dias de grande tempestade, era verdadeiro, eu estava completamente louca para descobrir qual era a cara dessa pessoa e se possível, tirar uma foto, como vingança pelo que ele me fez passar.Pensei em consolar Aya, mas por sorte ela já estava com muitas pessoas para fazer isso, já que em poucos dias e sem eu nem mesmo perceber, se tornara bastante popular.O jeitinho de Aya era mesmo incrível.
-Saí de fininho no meio de toda aquela confusão, enquanto Jonna e os monitores, tentavam controlar aquela imensa multidão confusa, subi o corredor de fibrae consegui sair do centro das torres sem ser notada.Lá fora, os pingos grossos que caíam do céu, caíam com a máxima pressão, tornando até mesmo a chuva assustadora, trovejava muito e eu ainda estava tomando coragem para sair do canteiro em que estava para ir até um tipo de túnel curto que dava atrás do castelo.Tomei coragem, respirei fundo e saí correndo em direção ao túnel, desastrada como eu era, caí três vezes antes de chegar até o túnel, os pingos de água éram tremendamente fortes mas não chegara a machucar-me, ao chegar no túnel, apoiei a mão na parede lisa e ofeguei bastante.Após descansar um pouco, vi questões matemáticas escritas na parede, estava bastante escuro mas pude enxergar algumas, o engraçado é que todas que eu pude enxergar davam o resultado igual a cinco.Achei realmente estranho aquilo escrito ali, mas não podia perder o foco, passei pelo túnel que era realmente curo, porém com aquela escuridão e com as trovoadas ficava assustador.Olhei para o rio e vi algo que parecia ser uma pessoa com as mãos no bolso, mas não dava pra ver muito mais que aquilo, já que chovia sem parar, quando vi aquilo, pensei "É agora!", corri até a margem do rio e toquei no ombro da pessoa.
-He, he, te peguei!-Exclamei, vitoriosa.-Notei que o ombro era bem fofo e parecia com algodão.
Como a pessoa não falava nada e nem expressava movimento, virei-a, era um boneco com o nome Oscar escrito na testa e parecia ter um tipo de microfone encapado com plástico na boca.
-He, he,não!Eu a peguei, pequena donzela.Tinha certeza que cairia como uma pata, uma pata feia para dizer a verdade he, he-Quando ouvi novamente aquela voz robotizada com o mesmo tom de arrogância e deboche, o sangue me ferveu.
-Quem é você?-Questionei aos gritos, o lance tinha ficado realmente sério naquele momento.
-Ora, eu?Sou apenas uma voz robotizada insignificante, não se preocupe comigo, é melhor se preocupar com o seu lindo sutiã vermelho, todo bordado e... espera, hum...ainda tem "BAD GIRL" escrito, mas que menina má...-Debochou ele aos risos.Ele se referia a minha blusa que estava molhada e se tornara tranparente.Naquele momento, eu me enchi de ira e rasguei o boneco em pedaços, eu realemente parecia uma maluca, aquela situação me deixara irada de uma forma que eu nunca havia ficado.Por que ele sempre vencia e ainda debochava de mim?
-Bye bye senhorita menina má, não fique com raiva, nuitas pessoas já tentaram ganhar de mim em muitas coisas, mas lamento dizer que todas falharam.Bye bye, senhorita menina má.-Terminou ele com o microfone em frangalhos.
-Maldito!-Esbravejei em um excesso de fúria, mesmo sabendo que a pessoa não estava mais ouvindo.
Voltei para a minha torre, mais furiosa e frustrada do que nunca.No caminho, tomando cuidado para que ninguém me visse, encontrei dois homens conversando e me escondi atrás das inúmeras pilastras que haviam no corredor.
-É, parece que foi um trabalho muito bem feito.Não foi deixado nenhum vestígio.-Disse um homem baixo, gordo e narigudo.
-Hum, sabia que ele não iria decepcionar, afinal, é um dos melhores, tudo correu maravilhosamente bem.-Respondeu o outro homem.Este era alto, com cabelos castanhos longos presos em um rabo de cavalo, com uma expressão maléfica em seu rosto.
-Tudo bem, logo o contactarei novamente.-Disse o gordo.
-Certo, só tenha o máximo de cautela e espere a poeira baixar.-Respondeu o cara alto.
Logo após essa estranha conversa, os dois se separaram e foi cada um para cada lado do corredor, eu não perdi a oportunidade e fui diretamente para o meu dormitório.Quando cheguei, tive o cuidado de abrir a porta bem devagar para evitar acordar Aya.Quando cheguei, ela estava dormindo como uma pedra.O dia havia sido tão longo quanto o anterior, fui direto para o banheiro, evitando ao máximo molhar o quarto e fazer barulho, tomei um banho de uma hora e finalmente apaguei na minha fofa cama.
Pela manhã, acordei com o barulho das cirenes da polícia, o castelo era bem grande mas dava pra ouvir do dormitório.Quando levantei, Aya já não estava dormindo, olhei no relógio e ainda éram seis da manhã e minha primeira aula era dali a uma hora.Tomei um banho, vesti-me naquele dia completamente de preto, simbolizando o óbito que eu queria para aquela pessoa irritante.Saí do quarto e lovo avistei o alvoroço que se formava no corredor para a escada de descida, fui até lá e todos ainda estavam comentando do estranho evento que ocorrera na noite passada, avistei Ellis que estava no meio daquele mar de gente.
-Hei Ellis!-Gritei.-Ellis veio andando em minha direção, esquivando das pessoas que gesticulavam sem parar.
-E aí, Cass.-Começou Ellis com uma voz e cara de sono.
-Oi, Ellis, você sabe me dizer o por que de todo esse alvoroço?
-Ah, você não sabe anida...-Ellis coçou a cabeça e desviou o olhar para baixo.
-Não sei o quê, Ellis, por favou não faça mistérios!-Exclamei impaciente.
-É..é que o sr.Allan faleceu esta manhã!
-C-como é?-Questionei assustada.
-É, esse alvoroço é pela reunião que a polícia pediu para fazer com todos os alunos no jardim.
-Mas como morreu?Ele não havia sido atendido pelo médico?
-Sim, mas acabou não resistindo e morreu nesta madrugada, o enterro será amanhã aqui mesmo em Sunheart e em homenagem, amanhã não haverá aula para nenhuma turma.-Respondeu Ellis, que assim como no momento do crime, não esboçava nenhum tipo de sentimento.
Eu não tive a oportunidade de conhecer tão bem o sr.Allan, mas não é nenhum mistério a boa impressão que ele causara em todos, era realmente uma pena ele ter morrido.Algumas perguntas circulavam pela minha cabeça: quem era realmente aquele irmão de Dereck? Como o próprio Dereck, sendo irmão dele não saberia seu nome? Quem raios era a pessoa por trás do microfone que me irava tanto?Como Dereck e Y.O haviam sumido tão de repente?Aaaaah! Minha cabeça explodia de tantas perguntas e asiava por todas as respostas muito bem respondidas.Só me restava ir buscar as respostas, acho que puxer isso do meu pai...mania de detetive...
Aya não estava no quarto,então fiquei me perguntando onde ela estaria,já que não podíamos sair do quarto antes do toque de alvorada que deveria tocar logo.Tomei um bom banho relaxante e purificador e vesti o uniforme da Sunheart,nós podíamos escolher entre saia xadrez ou calça jeans escura e eu preferi a calça jeans e a camiseta rubra com as iniciais da Sunheart.Até que o uniforme compensava bem o que eu usava na outra escola,a calça era bem brega e a camiseta também.Terminei de me vestir e abri a porta para procurar Aya e perguntar o lance do armário.Logo que abri a porta,pude ver Aya em uma das janelas da torre,que éram bem grandes e tinham uma espécie de bancos embutidos na parte inferior,onde Aya estava instalada lendo um livro.Me aproximei e ela me notou.
-Hum...acordou cedo,Cass?-Perguntou Aya, sorridente como sempre.
-É,dormi bem a noite e acordei bem disposta hoje,principalmente depois do ótimo banho que tomei.-Respondi, sorridente.
-Oh! Desculpe Cass,eu nem te dei "bom dia" antes de tudo.
-Tudo bem,eu sempre achei o "bom dia" uma cortesia chata e já que somos amigas,acho que nem tem necessidade.O que você acha?
-É verdade...-Aya fechou os olhos sorrindo e parecia muito feliz.-Então,nós somos mesmo amigas?
-Mas que pergunta,Aya.Eu deveria ser sua amiga só de você conseguir deixar meu nome mais bonito.-Nós duas rimos.-A propósito,Aya,foi você quem arrumou minhas roupas no armário?-Questionei logo após o curto riso.
-Ah,sim.Fui eu sim,Cass.Eu vi que você estava mega cansada ontem a noite e como eu ainda estava arrumando as minhas coisas,resolvi te poupar um tempo,mas se não gost...-Claro que não é isso,Aya.-Interrompi.-Eu adorei,é só que fiquei um pouco curiosa de quem poderia ter sido,mas já havia deduzido que fosse você.Muito obrigado,eu adorei muito mesmo a arrumação,fico te devendo essa.
-Que nada,para que serviriam os amigos.-Disse Aya.
Depois de conversarmos um pouco sobre a linda e surreal paisagem logo à frente da janela.Percebemos Ethan subindo as escadas e todos saindo de seus quartos quase ao mesmo tempo.
-Então ouviram o toque da alvorada pelo dispositivo que coloquei nos seus quartos,não é?Hum...parabéns,senhores calouros.Vejo que não ficou nenhum preguiçoso dormindo,não é?-Ethan realmente parecia um militar completamente rigoroso no que fazia.Éram seis da manhã quando ele apareceu e eu podia apostar que ele já estava acordado há muito tempo,era insuportável.-Bem,vamos descer e ir até o refeitório.Senhorita Jonna,organize a fila por favor.-Pediu Ethan.
-Sim,senhor Ethan.-Respondeu Ally,prontamente,organizano todo o pessoal como uma representante exemplar.
Descemos até o segundo andar,onde ficava o refeitório.O refeitório não era tão incrível como os outros cômodos do castelo,era composto por simples paredes pintadas de branco, mesas brancas forradas com uma toalha de mesa com as iniciais da escola e cadeiras negras com detalhes em branco.Era relativamente menor do que os outros cômodos também, mas acho que isso era porque era exclusivo para os bolsistas.A fila para o café era relativamente pequena,uma vez que somente havia na nossa turma vinte alunos e com um refeitório exclusivo.Ter um refeitório exclusivo tinha muitas vantagens.
Esperei na fila um minuto e consegui pegar meu café.Logo em seguida,avistei Aya levantando a mão esquerda e me chamando para a mesa dela,onde também havia mais uma menina que eu não conhecia.
-Cass,queria te apresentar...-Começou Aya.-Essa é Ellis Lee.Ellis,essa é Cassandra Magraph.-Ellis era uma menina bem magrinha e pelo que eu pude notar, mesmo ela estando sentada é que devia ter seus 1,70 m por aí.Ela era asiática e tinha um rosto simpático e risonho,além de cabelos negros bem lustrosos e brilhantes.
-Oi.E aí,Ellis,como vai?-Cumprimentei.
-Eu vou be...hum...Eu posso chamá-la de Cass?-Questionou-me Ellis,sorrindo.
-Claro.Esse apelido deixa o meu nome muito mais legal.-Respondi dando risos.
-Nossa,Cass!-Exclamou Ellis.-Você pegou as mesmas coisas que eu na mesa de café.Pão integral com peito de peru e salada de alface,além de termos pego até mesmo o mesmo suco,de laranja.
-Nossa,é verdade.Nem tinha notado.-Respondi,surpresa.
Isso é o que eu chamo de combinação não combinada.Caramba,gente,tinham muitos tipos de alimentos naquela mesa e vocês pegaram exatamente os mesmos.É impressionante.-Analizou Aya.
-É verdade...mas,mudando de assunto,de onde você é,Ellis?-Perguntei.
-Ah,eu sou japonesa,vim morar aqui para poder estudar em Sunheart,que dizem ser uma das melhores escolas do mundo,mas meus pais ainda moram no japão.
-E,se você não se importar,quanto você tirou no exame para a bolsa?-Perguntei aflita.Notei Aya com uma expressão irônica.
-Bem,eu tenho um pouco de vergonha mas vou dizer.Tirei oitenta e quatro por cento.Meu pai ficou uma fera por eu não ter conseguido a integral mas foi o máximo que pude fazer.
-Caramba...-Disse eu.Implorando mentalmente para que ela não fizesse a mesma pergunta.Aya quase não conseguia mais segurar o riso.
-É,caramba mesmo, só por dezesseis por cento não tirei uma nota total.Meu pai realmente não gostou nem um pouco disso,ele queria que eu tivesse tirado bolsa integral,não por não poder pagar a mensalidade,mas por puro orgulho.
-Fica fria.-Disse Aya.-Seu pai pode ficar orgulhoso com as altas notas que eu sei que você vai tirar e vai esquecer do exame em um instante.-Aya sabia mesmo como fazer as pessoas se sentirem melhor.Era uma pessoa excepcional,acho que dei sorte em conhecê-la logo de cara.
-É,espero que você esteja certa,Aya.Vamos torcer.Eu pretendo mesmo me esforçar bem mais nos exames seguintes.-Disse Ellis.Fiquei extremamente aliviada quando percebi que Ellis não perguntaria sobre o meu exame,aquilo realmente me humilharia.
Terminamos o café da manhã e logo tocou o sinal para a primeira aula,fomos até o armário onde já estavam todos os nossos livros cuidadosamente arrumados,aquilo certamente seria coisa do Ethan.A primeira aula era história com a professora Donna Mitchel.Logo que entramos na sala,analizei a sra. Mitchel dos pés a cabeça,como eu fazia com todos os meus professores para tentar adivinhar que tipo de pessoa seria.Era uma mulher de seus trinta e dois anos,baixa,cabelos curtos estilo chanel pretos e pareciam bem sedosos,olhos castanhos escuros e peso mediano.Parecia uma boa professora,mas já me enganei tantas vezes quanto a isso.
-Senhorita Magraph!-Exclamou a sra. Mitchel,me acordando do transe analítico.-A senhorita já pode se assentar.-Todos olharam para mim.Fiquei com uma cara de idiota meio sem reação.
-Sim,sra. Mitchel,me desculpe por isso...-Respondi timidamente.
-Não se desculpe e sente-se logo.Não vê que é inútil se desculpar,uma vez que não recuperará sua primeira impressão,senhorita analítica.-Arregalei os olhos ao ouvir uma voz vindo de trás que não parecia ser de nenhuma das pessoas presentes pois era meio robotizada.Virei-me rapidamente e todos também viraram.No fundo da ampla sala,havia um pequeno microfone que estava embutido na parede e um fio que passava por um buraco na mesma.
-Vamos começar a aula, então prestem atenção!-exclamou a sra. Mitchel, cortando totalmente aquele clima estranho que havia aterrissado na sala logo no início da primeira aula.
Depois daquilo, a voz do microfone se calou pelo resto da aula e ninguém mais falou nada sobre aquilo.Fiquei realmente intrigada com essa estranha e metida voz, eu definitivamente não engoli a arrogância daquela voz irritante.Achei estranho o fato de a sra. Mitchel não comentar mais nada sobre aquilo,nem sequer dar alguma explicação para todos, que certamente deviam estar bastante confusos.Aquilo não podia ser normal nem mesmo em Sunheart.
Passados os três tempos de história, chatíssimos por sinal, fomos para um pequeno intervalo de quinze minutos.Não era um intervalo comum, apenas descíamos até o primeiro andar,onde havia um amplo espaço com todos os tipos de jogos que se pode imaginar quem não fosse muito atlético, poderia simplesmente se descontrair conversando ou o que eu realmente mais estava esperando, ir à biblioteca.Pelo que pude perceber, a Sunheart se importava mesmo com o quanto os alunos rendiam, prova disso era essa recreação repentina e sem motivo, deduzi que só serveria mesmo para fazer os alunos ficarem mais centrados nas aulas posteriores.
Enquanto a grande maioria dos alunos jogavam sem parar, eu, Aya e Ellis fomos para a biblioteca para dar uma olhada rápida, afinal, o que seriam meros quinze minutos dentro de uma biblioteca, ainda mais em um lugar onde todos os lugares são incríveis.
-O que você espera da biblioteca, Cass?-Perguntou-me Aya enquanto caminhávamos.
-Bom, eu nem sei...Certamente deve ser incrível, nem posso imaginar.E você, Ellis,gosta muito de leitura?
-Pergunta isso para uma pessoa que passou quase a vida inteira lendo todos os romances que sua mãe lançava?-Eu e Aya ficamos totalmente impressionadas com aquilo.A mãe de Ellis era uma escritora. -Caramba!-Dissemos em uníssono.
-Ellis, por favor,diga pra gente o nome e o livro mais famoso de sua mãe.-Pedi anciosa.
-O nome dela é Sanai Lee, mas usa um pseudônimo, que é apenas "Nai". Seu romance mais famoso é chamado "Blue Waterfall", vocês devem conhecer, pois virou um bestseller.-Responeu Ellis, enquanto estávamos boquiabertas, sem reação.
-Eu ainda não acredito que Nai é sua mãe,caramba!Sabe como isso é incrível?-Disse Aya atônita.
-É, ela é realmente incrível como escritora...-Disse Ellis,abaixando um pouco a cabeça e ficando com um olhar distante.
-Algo errado,Ellis?-Perguntei.
-Não, Cass.Está tudo bem.Mae e aí,nós vamos ficar com essa conversa mole ou vamos logo para aquela incrível biblioteca?-Perguntou Ellis,recompondo-se.
-Vamos nessa.-Respondi.Parecia que Ellis não gostava muito de falar sobre a mãe, fiquei até um pouco curiosa, mas tinha de controlar isso.
A biblioteca ficava no primeiro andar.Era exclusiva para os bolsistas,mas diferente do refeitório,era gigantesca.Deduzi que cada torre devia ter sua própria biblioteca,ficava me perguntando se as outras éram maiores do que a nossa.Fiquei impressionado com a quantidade de estantes com milhares de livros que haviam naquele lugar,de onde estávamos nem dava para contar as estantes.O lugar tinha paredes em tom de salmão,o chão parecia irreal,era branco mas nos cantos da biblioteca, haviam tons de preto e cinza em gradiente que mudavam de lugar,fazendo do chão um grande show de luzes, mas não luzes escandalozas,éram tons calmos e bem degradados.Era simplesmente incrível.No teto, um imenso e artístico sol,que parecia ter sido desenhado por um grande artista mas não me recordava daquela arte.Uma coisa curiosa era o "céu" por trás do sol,era completamente negro, como a estrela que brilha a noite, deduzi.
Já havia passado onze minutos e nem tínhamos saído da entrada de tão vislumbradas que estávamos.Era um lugar realmente inimaginável.
Caminhamos até o balcão e logo avistamos o nosso anfitrião bibliotecário,meu futuro antecessor,eu supunha.
-Que obra traz três belas jovens a essa biblioteca modesta e seu bibliotecário?-Começou o garoto.Devia ter uns dezesseis anos,cabelos loiros compridos,olhos castanhos claros,porte atlético e vestia uma calça jeans azul e camisa preta com as palavras "To you".-Ah, desculpem-Continuou.-Meu nome é Dereck Myers.-Apresentou-se ele,beijando a mão direita de cada uma de nós.
-Oi, Dereck.-Começou Aya, simpática como sempre.-Eu sou Maya Scarlett.Essas são Cassandra Magraph e Ellis Lee.Prazer em conhecê-lo.
-Nossa,me desculpe,srta.Maya,desculpe a franqueza mas...-Ele parou um pouco,olhou para os lados,seu rosto branco como papel ficou vermelho como tomate.-Você é extremamente linda...é...me desculpe...-Depois disso,Aya que também tinha a pele branca, ficou com o rosto completamente corado e de cabeça baixa.
-O...obrigada.-Disse ela bem baixinho,deixando Dereck com um sorriso mega maroto no rosto.
-Bom, não viemos ver nenhuma obra específica,somente viemos conhecer a biblioteca.-Comecei.Quis fazer um favor para Aya e Dereck, de cortar aquele clima que dominava a atmosfera da biblioteca, e também porque parecia que ambos iriam explodir de tanta vergonha.
-Ah sim, por favor fiquem à vontade.Qualquer coisa que precisarem, por favor, não hesite em me chamar.Ah...e desculpe mais um vez, srta. Maya.
-Nã...não foi nada...B...bom, já estava mesmo na nossa hora, já passou do tempo recreativo repentino...F...foi um prazer,sr.Dereck.
-Mas que pena, queria que vocês ficasse um pouco mais.-Quando ele disse "vocês", na verdade,queria dizer apenas "srta. Maya".Tive que me segurar para não rir de tudo aquilo.-E, srta. Maya, por favor, me chame apenas Dereck.-Completou.
-Tudo bem, agora temos mesmo que ir.Até mais, Dereck.-Terminou Aya.Pude ver que nessa hora,Aya abriu um pequeno sorriso.
Caminhamos até a porta e pude ouvir um barulho que vinha de trás como se alguém tivesse saltado.Pude deduzir que Dereck nem mesmo esperou-nos sair para expressar sua alegria em ter conhecido Aya.
No resto do dia todas as aulas trancorreram muito bem, pude realmente notar a diferença no ensino de Sunheart, os professores éram de altíssimo nível e a qualidade de ensino era explêndida.Quando a última aula terminou, discretamente olhei para trás e o pequeno microfone ainda permanecia lá, porém não disse absolutamente nada além do que me disse no começo da aula, fiquei realmente intrigada com quem estava por trás daquele microfone.Mesmo sem saber que voz era por estar modificada robóticamente, considerava irritante só de ter ouvido.Na volta para o dormitório antes do jantar, Aya conheceu mais uma pessoa, um garoto de cabelos castanhos curtos e olhos castanhos chamado Michael Mihaeel, ele estudava em Sunheart desde a sexta série e esse ano estava em nossa turma.
-Então, Michael...Você sabe alguma coisa sobre aquela estranha voz que me "atacou" no começo da aula?-Questionei, logo após nos conhecermos, apresentados por Aya, que me olhava com reprovação provavelmente por eu ser tão direta ao conhecer Michael.
-Hum...bem...eu não sei nada exatamente, Cass, mas os boatos correm por toda a escola, afinal, isso não é normal nem mesmo em Sunheart.- Respondeu Michael.
-Ah, por favor, me diga os boatos que correm!-Exclamei anciosa.
-Bom,dizem se tratar de um aluno especial, que tem um andar subterrâneo inteiro só para ele, embora nenhum de nós tenha visto nada.Dizem também que é um tipo de gênio em todas as áreas e que sempre estudou em Sunheart, mas nenhum aluno nunca o viu, exceto um aluno que diz tê-lo visto sentado na beira do rio que corre atrás de nossa torre, em meio a uma tempestade.A partir daí, dizem que ele só aparece em dias de grande tempestade, mesmo ninguém nunca o tendo visto nem mesmo em dias de tempestade comuns, e também nenhum vestígio de passagem subterrânea foi encontrada por nós.
-Mas a voz costuma falar com frequência nas aulas?-Perguntei.Aquilo estava ficando interessante.Parece que Sunheart era bem melhor do que eu pensava.
-Bom, é bem raro ela falar, desde que eu estudo aqui deve ter falado umas três vezes, e os professores parecem condescender com ela toda vez que ela fala, é até meio irritante, dá a impressão que essa pessoa é melhor que os alunos normais, pelo menos parece que os professores concordam com isso.Eles ignoram a voz como se ela não existisse e a deixa falar o que quer.-Concluiu Michael.Eu jamais poderia imaginar uma pessoa que estuda em uma escola mas nunca foi vista por nenhum dos alunos.Isso era incrível demais, e cada vez mais eu começava a ficar mais entusiasmada com tudo aquilio.
-Muito obrigado pelas respostas, Michael, foi de grande importância.
-Não foi nada...e...Cass, você gostaria de sentar ao meu lado no jantar?- Perguntou Michael meio sem graça.
-Ah!Desculpe, Michael.Aya e Ellis me matariam se eu não sentasse ao lado delas, fica para uma próxima vez, quem sabe...-Michael parecia um cara legal, mas não queria dar esperanças a ninguém.
-Bom, tudo bem, foi um prazer conhecê-las- Disse Michael apertando minha mão e a de Aya.Percebi que sua mão estava trêmula ao apertar minha mão, fiquei um pouco constrangida com aquilo.
Deixamos Michael no seu dormitório e seguimos para o nosso.
-Oh!A srta. Cassandra Magraph, destruidora de corações, nossa...-Debochou Aya no caminho para o dormitório.
-Ah, você quer jogar assim, é, srta. Maya Scarlett?-Comecei.-E o que me diz da frase "Me chame apenas da Dereck,SÓ DERECK"-Fiz uma careta.
-Hei, eu não me lembro de nenhum "só Dereck" nessa frase.-Protestou Aya.-O que a sra.Cass acha da frase "sente-se ao meu lado, meu amor, MEU AMOR"?-Aya riu extremamente alto.
-Acho que você adicionou demais nessa frase-Rimos alto, sendo observadas pelos outros alunos passando no corredor .
Chegamos no dormitório para nos prepararmos para o jantar e me deparei com um estranho bilhete em minha cama, ele dizia que eu deveria me encontrar com o diretor para consumar o meu posto de bibliotecária.Meus olhos brilhavam e minhas mãos tremiam só de pensar no fato de que eu vou comendar toda uma constelação de livros,a única coisa que me deixava meio triste era que eu tomaria o lugar de Dereck, ficava pensando se ele ficaria chateado.O bilhete dizia para eu encontrar o diretor no dia seguinte antes do jantar.Eu mal podia esperar.
Depois de tomarmos um banho muito relaxante e descansar um pouco enfim chegava a hora do jantar, eu já estava louca de fome, já que no primeiro dia, o lanche da tarde ficava por nossa conta e papai e mamãe ainda não haviam depositado meu dinheiro extra para eventuais casos como este.Eu estava realmente faminta.Quando descemos até o refeitório, tivemos uma grande surpresa, o refeitório estava fechado e o jantar não seria ali.Segundo Ethan que nos esperava na porta do refeitório, o jantar era o único evento em que todas as turmas se reuniam em um extenso salão principal.
-Onde a senhora estava que não passou o meu recado, senhorita Ally?- Perguntou Ethan, fitando Ally seriamente.
-Desculpe,sr. Ethan.Eu tive um pequeno problema esta tarde.Isso não se repetirá, eu lhe asseguro.
-Que isso realmente não se repita!Em sunheart, não cumprir com suas responsabilidades é motivo de punição, esteja avisada sobre isso, srta.Jonna.
-Novamente peço minhas sinceras desculpas, sr. Ethan.-Deu pra ver claramente que Ally estava para desabar, mas se mantinha firme sem mesmo expor nenhuma lágrima.Era óbviu que ela estava se sentindo humilhada por Ethan na frente da turma inteira, na verdade, aquilo já estava sendo uma punição.
Depois do incidente com Ally, Ethan nos guiou até o castelo principal,que ficava atrás de um imenso jardim, bem no centro das torres.Desde a entrada até o salão principal,Ethan explicou cada lugar pelo qual passamos.Era realmente de se assustar a riquesa de monumentos e estatuetas genuínas que eu nunca tinha ouvido onde tinham ido parar.O dono de Sunheart devia ser extremamente rico, principalmente porque ele deixa todas aquelas coisas na escola e não em sua residência.
Passamos por grandes salões com quadros e monumentos e descemos um corredor feito somente de pura fibra, sem nenhum quadro na parede e nenhum detalhe de cores, era incrivelmente somente de fibra.Logo após o corredor,vimos uma grande porta dupla feita toda de vidro fumê com detalhes em preto, Ethan fez uma pose engraçada,curvando seu corpo para frente e anunciando:
-Eis que lhes apresento-Disse ele colocando as mãos nas maçanetas que pareciam de chumbo-O salão principal-Terminou, empurrando as portas.
Quando as portas saíram da frente pude ver o lugar mais incrível até o momento de Sunheart.O salão era completamente revestido de vidro, pura e simplesmente vidro.Lá fora era um aquário como o fundo do mar,com diversas espécies e formas de animais marinhos que eu nem mesmo tinha visto ainda.Haviam cardumes de peixe que brilhavam em diversas cores,como pisca-pisca e pude ver até mesmo um tubarão branco enormemente assustador.As mesas éram retângulos embutidos no chão de vidro e as cadeiras pareciam extremamente confortáveis com a estrutura em preto e a poltrona revestida em azul bem escuro.O lugar era mágico e extremamente amplo, e no final do salão, havia uma grande mesa com somente uma cadeira com estrutura preta e poltrona vermelho sangue,sentado nela estava um homem largo, de camisa polo verde oliva e calça social preta, ele tinha um par de olhos azuis e era careca.Maya estava atrás de mim conversando com Ellis,as duas ainda não haviam me notado.
-Oi, gente-Comecei.
-Oi, Cass!!-Exclamaram elas em uníssono-Esse lugar é incrível, não acha?-Perguntou Aya logo em seguida.
-Certamente é um lugar muito incrível.Puxa, realmente Sunheart possui muitos alunos e este lugar comporta tanta gente assim, se não me dissessem, eu não acreditaria nisso...
-E aí, pessoas-Interrompeu-me Michael, chegando sorrateiramente.-O que três belas damas fazem paradas bem no portão de entrada do salão principal?
-Esperávamos o garçon nos mostrar nossas mesas-Brinquei.
-Hum...entendo-Balbuciou Michael, meio sem graça.
-Aya, Ellis, vocês podem ir na frente e guardar meu lugar?Eu tenho algo particular para falar com Michael...
-Bem...tudo bem, a gente guarda seu lugar sim-Respondeu Aya com um sorriso malicioso em sua face.-Até mais, Michael-Disse por fim, procurando uma difícil mesa vazia.
-Peguei o braço de Michael e o puxei para um canto reservado da sala.
-Michael, por favor, você tem que me dizer, você tem alguma idéia de quem seja a pessoa por trás daquela voz?
-Me desculpe, Cass, eu realmente não sei de nada, mesmo já estando a bastante tempo em Sunheart.
-Droga!-gritei por dentro, eu estava realmente decidida a saber quem era aquela pessoa arrogante que conseguiu me irritar, nada me tirava essa dúvida da cabeça e eu precisava descobrir.
-Desculpe, mas por que está tão interessada nisso, Cass?-Questionou Michael, confuso.
-Bem...eu quero muito dar o troco nessa pessoa pessoalmente, só isso.
-Nossa, você é bem vingativa-Disse Michael dando risadas.-Será que eu fiz certo me apaix...hum, deixa pra lá.-Concluiu.Eu sabia exatamente o que Michael diria e agradeci por ele não ter concluído o que havia começado a falar, era realmente preocupante saber dos sentimentos dele por mim, já que eu não sentia o mesmo.
-Bom, então, se eu ficar sabendo de algo, você será a primeira a saber.-Condescendeu Michael.
-Tudo bem, eu agradeço muito, Michael-Disse eu beijando-lhe o rosto e ao mesmo tempo receosa de que aquilo pudesse acender algum tipo de esperança em Michael.
Depois do beijo, Michael ficou completamente corado, corado ao melhor estilo Aya, realmente me deu muita vontade de rir, porém não o fiz para que Michael não interpretasse como deboche, eu realmente não estava pretendendo magoar um cara tão legal como ele.Michael seguiu para sua mesa e eu fui procurar o lugar que Aya e Ellis haviam guardado.Assim que me sentei, percebi que o homem careca que eu havia notado, lavantava-se, ele apertou o botão que havia no braço direito da poltrona, fazendo um som estrondoso que parecia o grito de uma baleia e propagou-se por todo o salão, voltando a atenção de todos para ele.
-Bem pessoal, desculpem o som estrondoso que acabaram de ouvir, é que seu eu tivesse gritado, vocês certamente não teriam me ouvido.-Disse o homem, simpaticamente, arrancando risos de todos no salão-Bom, para aquele que ainda não me conhecem e perguntam em suas mentes:"Quem é esse estranho homem careca e mal vestido?" ou ainda:"Tira esse coroa daí!", não é mesmo?-continuou ele, sempre com um sorriso sarcástico nos lábios.-O meu nome é Allan Marchall, mas cada um de vocês pode me chamar de All, nada de "senhor" ou "velho" ou mesmo, na língua dos jovens "coroa".Eu sou o diretor dessa escola e quero dar as boas vindas aos calouros e quero deixar um "aprontem menos" aos veteranos-Disse ele arrancando mais uma vez os risos de todos.Se ele não se chamasse "Allan", certamente seu nome seria "simpatia".-Então, é isso, pessoal.Agora eu vou parar de falar pois todo mundo deve estar realmente morrendo de fome.Podem servir!-Ordenou All por fim.Logo após ele ter ordenado, as portas de entrada se abriram e saíram dela diversos garçons vestidos com ternos com cores específicas para servir cada turma, felizmente os garçons que serviram a nossa turma, tinham o melhor gosto, estavam vestidos de preto tradicional.Até mesmo nisso Sunheart impressionava, os garçons serviam perfeitamente e toda a comida era da mais alta qualidade pelo que pude notar.
Quando o jantar estava no fim, ouvimos um relâmpago intenso que no mesmo momento, deu blackout em toda Sunheart.
-O que será que houve?-Perguntou Aya.Embora eu não pudesse vê-la, pude reconhecer sua voz fina e aguda.
-Não sei, deve ter sido algum problema com a fiação.Vocês ouviram aquele relâmpago?-Respondi.O povo falava e pareciam agitados, era engraçado ouví-los e não poder vê-los.
Tenham calma, jovens!-Exclamou All-Pude reconhecer a voz dele que vinha do fundo da sala.-Os nossos geradores serão ligados em dez minutos, não se afobem, enquanto isso, por que não jantam?-Terminou All, sarcásticamente.
-Ah!-Exclamou Aya.
-O que foi , Aya?-Perguntou Ellis que permanecia calada desde então.
-Alguém está segurando a minha mão!-Gritou Aya.Com a agitação e o falatório do povo, ninguém notou o grito estridente de Aya.Pude realmente sentir uma presença atrás de nós.
-Se acalme, srta.Aya.-Disse uma voz que vinha de trás.Era uma voz de homem e me parecia bastante familiar.
-Quem é você?-perguntou Aya assustada.
-Fico triste que não tenha reconhecido a voz do seu ilustre bibliotecário.-Naquela hora ficou claro que se tratava de Dereck.
-Ah! Me desculpe, você me assustou, Dereck.-Desculpou-se Aya.Pela voz já dava pra saber a cor do rosto de Aya.
-É verdade, Dereck, tome mais cuidado.Estamos todas nervosas aqui!-Exclamei.
-Realmente, devo pedir desculpas.Por favor, perdoem-me, em especial a srta. Aya, não foi minha intenção assustá-la.
-T-tudo bem, esqueça isso, sr.Dereck-Disse Aya
-Por favor, já disse para a srta. me chamar somente de Dereck.
-Tudo bem, me desculpe, Dereck.-Dereck demontrava um ar diferente do que quando o vimos na biblioteca parecia uma outra face dele, uma mais séria, compenetrada, até mesmo a timidez ao estar perto de Aya mudara.
-Espere um pouco!-Disse eu tocando-me de um fato curioso.-Aqui está a completa escuridão, como pôde achar Aya no meio desse breu?
-B-bem, eu...-Você está com a câmera de visão noturna, lembra irmãozinho?-Alguém interrompeu Dereck.
-Quem é você?-Perguntei.
-Hum...que mal educado, hein Dereck...nem me apresentou para suas novas amigas...
-Certo, gente, esse que vocês não estão vendo é meu irmão, Y.O.
-Y.O?Seu irmão não tem nome de verdade?-Questionei.
-Sim, ele tem, só não gosta de revelar para ninguém.Nem mesmo eu sei o nome verdadeiro dele.
-Bom, garotas, temos assusntos melhores do que o meu nome, né, por favor...
-Por que não gosta de revelar o seu nome?Por acaso não é Cassandro, é?-Brinquei.Era realmente comum um garoto com apelidos, porém um que não quer revelar o seu nome é no mínimo incomum.
Depois de alguns segundos, a luz retornou e logo se formara um tumulto no fundo da sala.
-O que está havendo lá?-Perguntou Ellis.Ela era realmente alguém de poucas palavras.
-Chamem um médico!-Era a voz de Ethan que gritava do fundo da sala.
Fomos até o fundo, empurrando e sendo empurradas por aquele mar de gente à nossa volta, pareciam perplexos.Ao chegarmos, nos deparamos com uma cena horrorosa, inacreditávelmente horrorosa, o senhor All estava nos braços de Ethan com muito sangue no pescoço, Ethan tentava estancar com sua camisa mas o sangue não parava de sair, dei conta de que Dereck e seu irmão tinham sumido desde o retorno da luz.
Os médicos entraram e logo levaram o sr.All para a enfermaria, Ethan parecia desesperado e suava bastante, era como se All fosse o seu pai ou da sua família.Aya estava em choque,sentara em um dos bancos e as lágrimas sairam devagar de seus olhos.Ellis parecia tranquila, como se nada tivesse acontecido.Além de calada, ela parecia bem fria.
Os monitores pediam que os alunos de sua respectiva turma o seguissem de volta para seus dormitódios, também pediam que todos se acalmassem.Na ausência de Ethan, Jonna tomou a frente como monitora e pedia que nós a seguíssemos até os quartos, como ainda haviam muito tumulto, tive uma idéia.Como lá fora estava uma tempestade tremenda, achei que conseguiria dar uma escapadinha e conferir se aquele rumor de que a pessoa da voz, ficava na margem do rio em dias de grande tempestade, era verdadeiro, eu estava completamente louca para descobrir qual era a cara dessa pessoa e se possível, tirar uma foto, como vingança pelo que ele me fez passar.Pensei em consolar Aya, mas por sorte ela já estava com muitas pessoas para fazer isso, já que em poucos dias e sem eu nem mesmo perceber, se tornara bastante popular.O jeitinho de Aya era mesmo incrível.
-Saí de fininho no meio de toda aquela confusão, enquanto Jonna e os monitores, tentavam controlar aquela imensa multidão confusa, subi o corredor de fibrae consegui sair do centro das torres sem ser notada.Lá fora, os pingos grossos que caíam do céu, caíam com a máxima pressão, tornando até mesmo a chuva assustadora, trovejava muito e eu ainda estava tomando coragem para sair do canteiro em que estava para ir até um tipo de túnel curto que dava atrás do castelo.Tomei coragem, respirei fundo e saí correndo em direção ao túnel, desastrada como eu era, caí três vezes antes de chegar até o túnel, os pingos de água éram tremendamente fortes mas não chegara a machucar-me, ao chegar no túnel, apoiei a mão na parede lisa e ofeguei bastante.Após descansar um pouco, vi questões matemáticas escritas na parede, estava bastante escuro mas pude enxergar algumas, o engraçado é que todas que eu pude enxergar davam o resultado igual a cinco.Achei realmente estranho aquilo escrito ali, mas não podia perder o foco, passei pelo túnel que era realmente curo, porém com aquela escuridão e com as trovoadas ficava assustador.Olhei para o rio e vi algo que parecia ser uma pessoa com as mãos no bolso, mas não dava pra ver muito mais que aquilo, já que chovia sem parar, quando vi aquilo, pensei "É agora!", corri até a margem do rio e toquei no ombro da pessoa.
-He, he, te peguei!-Exclamei, vitoriosa.-Notei que o ombro era bem fofo e parecia com algodão.
Como a pessoa não falava nada e nem expressava movimento, virei-a, era um boneco com o nome Oscar escrito na testa e parecia ter um tipo de microfone encapado com plástico na boca.
-He, he,não!Eu a peguei, pequena donzela.Tinha certeza que cairia como uma pata, uma pata feia para dizer a verdade he, he-Quando ouvi novamente aquela voz robotizada com o mesmo tom de arrogância e deboche, o sangue me ferveu.
-Quem é você?-Questionei aos gritos, o lance tinha ficado realmente sério naquele momento.
-Ora, eu?Sou apenas uma voz robotizada insignificante, não se preocupe comigo, é melhor se preocupar com o seu lindo sutiã vermelho, todo bordado e... espera, hum...ainda tem "BAD GIRL" escrito, mas que menina má...-Debochou ele aos risos.Ele se referia a minha blusa que estava molhada e se tornara tranparente.Naquele momento, eu me enchi de ira e rasguei o boneco em pedaços, eu realemente parecia uma maluca, aquela situação me deixara irada de uma forma que eu nunca havia ficado.Por que ele sempre vencia e ainda debochava de mim?
-Bye bye senhorita menina má, não fique com raiva, nuitas pessoas já tentaram ganhar de mim em muitas coisas, mas lamento dizer que todas falharam.Bye bye, senhorita menina má.-Terminou ele com o microfone em frangalhos.
-Maldito!-Esbravejei em um excesso de fúria, mesmo sabendo que a pessoa não estava mais ouvindo.
Voltei para a minha torre, mais furiosa e frustrada do que nunca.No caminho, tomando cuidado para que ninguém me visse, encontrei dois homens conversando e me escondi atrás das inúmeras pilastras que haviam no corredor.
-É, parece que foi um trabalho muito bem feito.Não foi deixado nenhum vestígio.-Disse um homem baixo, gordo e narigudo.
-Hum, sabia que ele não iria decepcionar, afinal, é um dos melhores, tudo correu maravilhosamente bem.-Respondeu o outro homem.Este era alto, com cabelos castanhos longos presos em um rabo de cavalo, com uma expressão maléfica em seu rosto.
-Tudo bem, logo o contactarei novamente.-Disse o gordo.
-Certo, só tenha o máximo de cautela e espere a poeira baixar.-Respondeu o cara alto.
Logo após essa estranha conversa, os dois se separaram e foi cada um para cada lado do corredor, eu não perdi a oportunidade e fui diretamente para o meu dormitório.Quando cheguei, tive o cuidado de abrir a porta bem devagar para evitar acordar Aya.Quando cheguei, ela estava dormindo como uma pedra.O dia havia sido tão longo quanto o anterior, fui direto para o banheiro, evitando ao máximo molhar o quarto e fazer barulho, tomei um banho de uma hora e finalmente apaguei na minha fofa cama.
Pela manhã, acordei com o barulho das cirenes da polícia, o castelo era bem grande mas dava pra ouvir do dormitório.Quando levantei, Aya já não estava dormindo, olhei no relógio e ainda éram seis da manhã e minha primeira aula era dali a uma hora.Tomei um banho, vesti-me naquele dia completamente de preto, simbolizando o óbito que eu queria para aquela pessoa irritante.Saí do quarto e lovo avistei o alvoroço que se formava no corredor para a escada de descida, fui até lá e todos ainda estavam comentando do estranho evento que ocorrera na noite passada, avistei Ellis que estava no meio daquele mar de gente.
-Hei Ellis!-Gritei.-Ellis veio andando em minha direção, esquivando das pessoas que gesticulavam sem parar.
-E aí, Cass.-Começou Ellis com uma voz e cara de sono.
-Oi, Ellis, você sabe me dizer o por que de todo esse alvoroço?
-Ah, você não sabe anida...-Ellis coçou a cabeça e desviou o olhar para baixo.
-Não sei o quê, Ellis, por favou não faça mistérios!-Exclamei impaciente.
-É..é que o sr.Allan faleceu esta manhã!
-C-como é?-Questionei assustada.
-É, esse alvoroço é pela reunião que a polícia pediu para fazer com todos os alunos no jardim.
-Mas como morreu?Ele não havia sido atendido pelo médico?
-Sim, mas acabou não resistindo e morreu nesta madrugada, o enterro será amanhã aqui mesmo em Sunheart e em homenagem, amanhã não haverá aula para nenhuma turma.-Respondeu Ellis, que assim como no momento do crime, não esboçava nenhum tipo de sentimento.
Eu não tive a oportunidade de conhecer tão bem o sr.Allan, mas não é nenhum mistério a boa impressão que ele causara em todos, era realmente uma pena ele ter morrido.Algumas perguntas circulavam pela minha cabeça: quem era realmente aquele irmão de Dereck? Como o próprio Dereck, sendo irmão dele não saberia seu nome? Quem raios era a pessoa por trás do microfone que me irava tanto?Como Dereck e Y.O haviam sumido tão de repente?Aaaaah! Minha cabeça explodia de tantas perguntas e asiava por todas as respostas muito bem respondidas.Só me restava ir buscar as respostas, acho que puxer isso do meu pai...mania de detetive...
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Atravessando a Escuridão.
Capítulo 1-Eu e Deus.
Deus.Um ser que eu nunca havia pensado que fosse real, que eu nunca pude imaginar que realmente existesse.Comigo mesmo,eu pensava :que ser é esse que as pessoas falam? De onde viera? Como posso crer em um ser que não pode ser visto ou tocado? Como posso confiar,falar e ser seu amigo? Todas essas perguntas me afastaram completamente de Deus,a medida que o tempo ia passando,eu lembrava cada vez menos dele.
Quando eu tinha nove anos de idade,meu pai morreu de um infarto fulminante.Assustada com tudo que havia acontecido e pelas dívidas acumulando,mamãe se afundou nas bebidas e entrou em depressão.Eu cresci tendo raiva deste ser chamado Deus do qual as pessoas enchiam os meus ouvidos,dizendo que ele é a salvação.Como eu poderia crer que Deus fosse a salvação se fizera aquilo com minha família? Se fizera aquilo com toda a minha vida,eu havia crescido bebendo e me drogando pelos cantos da cidade,andava como um verdadeiro lixo pelas ruas da minha cidade fria.
Quando cheguei aos vinte anos,mamãe foi diagnosticada com câncer de fígado. Ela estava internada em um hospital particular ,muito caro, que eu não podia pagar e o diretor do hospital me propôs trabalhar como ajudante no hospital para pagar as dívidas, porque ele era um velho amigo de papai e viu claramente nossa situação precária.
-Doutor,como está mamãe?-Perguntei e o doutor fechou a cara de forma que eu podia imaginar a resposta.
-Olha,Jake,as notícias não são nada boas...-Ele fez uma pausa e continuou.-O câncer evoluiu de tal maneira que a doença se tornou terminal.-Ele pôs a mão sobre meu ombro e completou.-Ela só tem mais uma semana de vida.Sinto muito, filho.
Naquele momento a primeira lágrima desceu pelo meu rosto e fiquei um tempo paralizado.
-Jake,filho! Você está bem? Enfermeira, por favor, pegue um copo de água,por favor.Olha,Jake,amanhã,sua mãe pediu que viesse aqui o pastor Michael Kelson da igreja "He is Everything"...
-O quê? Um pastor? O que mamãe está pensando? Não,definitivamente nenhum pastor entrará naquele quarto,NENHUM! Entendeu bem,doutor John?
-Bom,desculpe filho mas isso não é você quem decide.Cabe ao paciente decidir esse tipo de coisa,acho que você deveria orar por sua mão como todos nós.
-Orar? A oração é um ato de uma pessoa louca,só mesmo os loucos para falar com coisas que não existem,eu já estou farto disso tudo.Eu vou falar com a mamãe.-Fui imediatamente para o quarto de mamãe que estava lendo um livro.
-Mamãe!-Já entrei com o tom de voz alterado,assustando mamãe e continuei.-O que você está pensando,mamãe? Já não basta o que Deus fez com a senhora? Olhe o seu estado,mamãe!-Mamãe fechou o livro,tirou a máscara de ar calmamente,me olhou com um olhar sereno e começou.
-Meu filho,não culpe nem julgue a Deus responsável pelo que estamos passando.-Ela parou e tociu três vezes e continuou.-Deus nos amou e nos ama de tal forma que você nem pode imaginar.Se você conhecesse Deus realmente,jamais diria tais blasfêmias que disse agora,jamais repita isso,meu filho.
Deus.Um ser que eu nunca havia pensado que fosse real, que eu nunca pude imaginar que realmente existesse.Comigo mesmo,eu pensava :que ser é esse que as pessoas falam? De onde viera? Como posso crer em um ser que não pode ser visto ou tocado? Como posso confiar,falar e ser seu amigo? Todas essas perguntas me afastaram completamente de Deus,a medida que o tempo ia passando,eu lembrava cada vez menos dele.
Quando eu tinha nove anos de idade,meu pai morreu de um infarto fulminante.Assustada com tudo que havia acontecido e pelas dívidas acumulando,mamãe se afundou nas bebidas e entrou em depressão.Eu cresci tendo raiva deste ser chamado Deus do qual as pessoas enchiam os meus ouvidos,dizendo que ele é a salvação.Como eu poderia crer que Deus fosse a salvação se fizera aquilo com minha família? Se fizera aquilo com toda a minha vida,eu havia crescido bebendo e me drogando pelos cantos da cidade,andava como um verdadeiro lixo pelas ruas da minha cidade fria.
Quando cheguei aos vinte anos,mamãe foi diagnosticada com câncer de fígado. Ela estava internada em um hospital particular ,muito caro, que eu não podia pagar e o diretor do hospital me propôs trabalhar como ajudante no hospital para pagar as dívidas, porque ele era um velho amigo de papai e viu claramente nossa situação precária.
-Doutor,como está mamãe?-Perguntei e o doutor fechou a cara de forma que eu podia imaginar a resposta.
-Olha,Jake,as notícias não são nada boas...-Ele fez uma pausa e continuou.-O câncer evoluiu de tal maneira que a doença se tornou terminal.-Ele pôs a mão sobre meu ombro e completou.-Ela só tem mais uma semana de vida.Sinto muito, filho.
Naquele momento a primeira lágrima desceu pelo meu rosto e fiquei um tempo paralizado.
-Jake,filho! Você está bem? Enfermeira, por favor, pegue um copo de água,por favor.Olha,Jake,amanhã,sua mãe pediu que viesse aqui o pastor Michael Kelson da igreja "He is Everything"...
-O quê? Um pastor? O que mamãe está pensando? Não,definitivamente nenhum pastor entrará naquele quarto,NENHUM! Entendeu bem,doutor John?
-Bom,desculpe filho mas isso não é você quem decide.Cabe ao paciente decidir esse tipo de coisa,acho que você deveria orar por sua mão como todos nós.
-Orar? A oração é um ato de uma pessoa louca,só mesmo os loucos para falar com coisas que não existem,eu já estou farto disso tudo.Eu vou falar com a mamãe.-Fui imediatamente para o quarto de mamãe que estava lendo um livro.
-Mamãe!-Já entrei com o tom de voz alterado,assustando mamãe e continuei.-O que você está pensando,mamãe? Já não basta o que Deus fez com a senhora? Olhe o seu estado,mamãe!-Mamãe fechou o livro,tirou a máscara de ar calmamente,me olhou com um olhar sereno e começou.
-Meu filho,não culpe nem julgue a Deus responsável pelo que estamos passando.-Ela parou e tociu três vezes e continuou.-Deus nos amou e nos ama de tal forma que você nem pode imaginar.Se você conhecesse Deus realmente,jamais diria tais blasfêmias que disse agora,jamais repita isso,meu filho.
Atravessando a escuridão
"Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna"
João 3:16
João 3:16
terça-feira, 2 de agosto de 2011
UnTiTlEd capítulo 1-Alvorada-parte 2
Senti que mamãe tinha ficado realmente assustada com aquela pergunta ingênua e estranha ao mesmo tempo.
-Não Calleb.Eu não creio que possam haver tais criaturas.Somente na ficção.Você já pesquisou alguma escola para qual queira ir?-Mamãe tentou cortar o assunto na hora e eu imaginava o porque daquilo.Aquele estava sendo um dia e tando para mim incontestávelmente.
-Ainda não,amanhã eu pesquiso na internet.Tenho bastante tempo ainda,afinal as férias de verão ainda nem mesmo começaram...é,realmente só devem existir na ficção mesmo.-Resolvi não questionar mamãe naquele momento já que estávamos cansados e estressados,Também não tinha argumentos,então...
Terminamos de jantar e fui tomar um banho e escovar os dentes.Depois disso,fui para o meu quarto e desabei na cama.Assim que fechei os olhos caí em um sono profundo e pesado pelas coisas que haviam me ocorrido naquele dia completamente bizarro.Meu rosto e minha perna ainda doiam um pouco.
Levantei logo cedo pela manhã.Apesar de eu ter desabado no dia anterior,as coisas que me ocorreram no mesmo me fizeram pular da cama mais cedo.só a possibilidade de existirem seres fora da compreensão humana...nossa...me fazia realmente excitado por respostas,mas de uma coisa eu estava certo,seria melhor ficar longe de vampiros porém aquilo que ele dissera "sangue real" me intrigava e muito.Eu estava completamente maluco e sedento por respostas.
Desci as escadas e vi que mamãe já havia saído provavelmente para falar com algum contato sobre questões de emprego.Ela havia deixado um bilhete colado na porta da geladeira,dizendo: "Volto em 5 horas.O almoço está no microondas,é só esquentar.Mãe."
Mamãe havia deixado toda a casa arrumada e almoço pronto,então eu tinha muito mais tempo para o que eu quisesse fazer.Era perfeito,sem contar que naquele dia ainda tinha a visita da sra.Shelly e de sua misteriosa filha Belle.Aquele dia assim como o outro, prometia.A manhã de Bear creek era perfeitamente normal,exceto pelo fato de que o frio é absurdo,realmente eu teria que sair com uns 20 casacos,acho que o frio me influenciou a não sair naquela manhã.Decidi pesquisar a minha nova escola.Segundo a internet só haviam 2 escolas em Bear creek realmente pelo fato de a cidade ser minúscula,uma das escolas se chamava Montanna high school que era a que ficava mais próxima de minha casa e a outra, Mcgarden high school,que ficava uns 300 metros mais longe,porém continha uma história bem mais interessante.O texto na internet dizia que o co-fundador da escola,Ian Mcgarden,que a fundou em 1850 juntamente com Obadiah Johnson, matriculou na época seus dois filhos que foram os primeiros alunos matriculados juntamente com os de Johnson.Ian matriculou dois filhos , Patrick e Amanda Mcgarden, Johnson matriculou 3 filhos,Albert,Obadiah jr. e Jully Johnson.Segundo testemunhas milhares de alunos se matricularam no mesmo ano,mas nenhum deles era como Patrick Mcgarden.Os professores de Patrick o rotulavam como "uma criança fora de seu tempo",o tinham como um verdadeiro gênio,um menino fora de série que apesar de um gênio não se comportava como um nerd,também era o garoto mais popular de toda a Mcgarden high school.
Os fundadores construíram a escola e Ian contruiu também dentro da escola um labirinto secreto pois adorava tipos de lugares exóticos mas nenhum aluno tinha acesso porque nunca o encontraram.Somente um aluno conseguiu adentrar o labirinto,Patrick. Ele conseguiu desvendar o quebra-cabeça que seu pai havia posto em torno do labririnto e conseguiu entrar,o que era inesperado por seu pai.Patick estava para se formar quando conseguiu entrar e namorava com Jully Johnson,menina por quem dizia que era completamente apaixonado e que morreria ou mataria por ela.Jully estava com Patrick quando ele desceu o alçapão que dava para o labririnto,ele pediu que ela o esperasse na entrada.
-Não Calleb.Eu não creio que possam haver tais criaturas.Somente na ficção.Você já pesquisou alguma escola para qual queira ir?-Mamãe tentou cortar o assunto na hora e eu imaginava o porque daquilo.Aquele estava sendo um dia e tando para mim incontestávelmente.
-Ainda não,amanhã eu pesquiso na internet.Tenho bastante tempo ainda,afinal as férias de verão ainda nem mesmo começaram...é,realmente só devem existir na ficção mesmo.-Resolvi não questionar mamãe naquele momento já que estávamos cansados e estressados,Também não tinha argumentos,então...
Terminamos de jantar e fui tomar um banho e escovar os dentes.Depois disso,fui para o meu quarto e desabei na cama.Assim que fechei os olhos caí em um sono profundo e pesado pelas coisas que haviam me ocorrido naquele dia completamente bizarro.Meu rosto e minha perna ainda doiam um pouco.
Levantei logo cedo pela manhã.Apesar de eu ter desabado no dia anterior,as coisas que me ocorreram no mesmo me fizeram pular da cama mais cedo.só a possibilidade de existirem seres fora da compreensão humana...nossa...me fazia realmente excitado por respostas,mas de uma coisa eu estava certo,seria melhor ficar longe de vampiros porém aquilo que ele dissera "sangue real" me intrigava e muito.Eu estava completamente maluco e sedento por respostas.
Desci as escadas e vi que mamãe já havia saído provavelmente para falar com algum contato sobre questões de emprego.Ela havia deixado um bilhete colado na porta da geladeira,dizendo: "Volto em 5 horas.O almoço está no microondas,é só esquentar.Mãe."
Mamãe havia deixado toda a casa arrumada e almoço pronto,então eu tinha muito mais tempo para o que eu quisesse fazer.Era perfeito,sem contar que naquele dia ainda tinha a visita da sra.Shelly e de sua misteriosa filha Belle.Aquele dia assim como o outro, prometia.A manhã de Bear creek era perfeitamente normal,exceto pelo fato de que o frio é absurdo,realmente eu teria que sair com uns 20 casacos,acho que o frio me influenciou a não sair naquela manhã.Decidi pesquisar a minha nova escola.Segundo a internet só haviam 2 escolas em Bear creek realmente pelo fato de a cidade ser minúscula,uma das escolas se chamava Montanna high school que era a que ficava mais próxima de minha casa e a outra, Mcgarden high school,que ficava uns 300 metros mais longe,porém continha uma história bem mais interessante.O texto na internet dizia que o co-fundador da escola,Ian Mcgarden,que a fundou em 1850 juntamente com Obadiah Johnson, matriculou na época seus dois filhos que foram os primeiros alunos matriculados juntamente com os de Johnson.Ian matriculou dois filhos , Patrick e Amanda Mcgarden, Johnson matriculou 3 filhos,Albert,Obadiah jr. e Jully Johnson.Segundo testemunhas milhares de alunos se matricularam no mesmo ano,mas nenhum deles era como Patrick Mcgarden.Os professores de Patrick o rotulavam como "uma criança fora de seu tempo",o tinham como um verdadeiro gênio,um menino fora de série que apesar de um gênio não se comportava como um nerd,também era o garoto mais popular de toda a Mcgarden high school.
Os fundadores construíram a escola e Ian contruiu também dentro da escola um labirinto secreto pois adorava tipos de lugares exóticos mas nenhum aluno tinha acesso porque nunca o encontraram.Somente um aluno conseguiu adentrar o labirinto,Patrick. Ele conseguiu desvendar o quebra-cabeça que seu pai havia posto em torno do labririnto e conseguiu entrar,o que era inesperado por seu pai.Patick estava para se formar quando conseguiu entrar e namorava com Jully Johnson,menina por quem dizia que era completamente apaixonado e que morreria ou mataria por ela.Jully estava com Patrick quando ele desceu o alçapão que dava para o labririnto,ele pediu que ela o esperasse na entrada.
domingo, 19 de junho de 2011
Sunheart high school-Capítulo 1- Entrada em Sunheart high school.
Na segunda-feira daquela semana que pra mim não faria diferença em nada,principalmente porque haviam terminado as férias e começado as aulas,eu começaria a cursar o segundo ano em uma escola particular chamada Sunheart high school.Uma escola conhecida por ser um pouco diferente e obscura, pelo fato de ser no estilo de um internato e literalmente em uma área muito afastada da cidade onde eu morava,diferente de quase todas as escolas britânicas de mesmo estilo.Principalmente em Londres.
Meus pais queriam me mandar para lá pois haviam arranjado uma vaga para mim no colégio com o diretor que é amigo de papai,desde que eu trabalhasse como bibliotecária já que moraria mesmo na escola enquanto estivesse estudando .Eu tentei entrar por meio de uma prova, contra a minha própria vontade,mas não consegui passar.Não sei se por falta de capacidade ou por falta de vontade,na verdade,eu estava morrendo por dentro por ter de deixar meus amigos que eu convivi durante toda a minha vida escolar, só por meus pais acharem que o ensino particular supera o público e também por quererem que eu curse a maior parte do ensino médio em uma escola particular de elite como a Sunheart.
-Vamos,senhorita Cassandra Magrath!Se continuar lenta desse jeito, vai perder o ônibus.Já arrumou suas coisas,certo?-Questionou mamãe da porta do banheiro,impaciente pelo fato de eu estar me arrumando de má vontade, para esperar o ônibus que viria buscar os alunos da parte norte da cidade, para levar para Sunheart.
-Sim,"senhora" Christine Magraph,já arrumei minhas malas e já estou saindo.-Respondi irônicamente terminando de pentear meus cabelos castanhos e enrolados que por sinal estava uma bagunça,desvalorizando completamente a cor que aderi nas férias,trocando o loiro "britânico" original pelo castanho escuro.Na verdade,eu sofria um pouco na escola antiga por minhas amigas serem bem mais soltas e atraentes do que uma pessoa de pele tão branca e estatura baixa,1,60 com 16 anos,15 na época mas de lá pra cá não vi crescimento algum.Acabei sendo um pouco influenciada por minha própria mente idiota a aderir a mesma cor do cabelo de Gabrielle M., a menina tida como a mais linda e mais popular da escola inteira,porém isso só importava até que eu fiquei sabendo que mudaria de colégio,daí em diante não serviu para mais nada.
Saí do banheiro e mamãe já estava com minhas duas malas na porta e os olhos cheios de lágrimas.Olhei para ela sem dizer uma palavra,como sempre fazíamos antes dos acampamentos e,assim mesmo,sem dizer uma palavra nos soltamos e eu fui até a porta também com os olhos lacrimejando de uma forma meio emotiva demais e eu não estava gostando nada daquilo.Passei minhas mãos sobre meus olhos,eliminando qualquer chance das pessoas na rua me verem nesse estado lamentável,mas ouvi quando estava quase fechando a porta,um susurro de mamãe dizendo "se cuida".Essa foi a primeira vez que a vi dizendo alguma coisa nesses momentos de despedida,acho que é porque ficaria lá por bastante tempo só retornando a cada 3 meses para passar 1 semana com os pais,o que eu achava bem diferente do programa de qualquer escola que eu já tivesse visto na minha vida inteira.Saí de casa e papai logo veio pegar minhas malas para irmos para o ponto central onde o ônibus nos pegaria.A viagem de carro demorou meia hora até o ponto e nem uma palavra foi dita nem por mim,nem por papai,que pelo visto estava bem nervoso em me deixar ir.
Chegamos ao ponto e estavam mais umas 30 pessoas esperando o ônibus.Pelo menos as pessoas pareciam normais,a normalidade era muito rara pelo que eu pude ver das regras desse colégio.Eu já havia ouvido falar e na minha escola antiga diziam que a escola é um castelo muito velho e tradicional.Lá o único meio de transporte que passa é o ônibus que estou prestes a entrar e só para levar ou trazer alunos para a escola.O único ponto positivo disso tudo seria a biblioteca que eu trabalharia,eu ficava imaginando a riqueza de livros raros que deveriam haver naquele lugar,eu mal podia esperar para ler todos eles,tal como se espera de uma tarada por livros de todos os tipos.Enquanto todas as meninas do meu antigo colégio só vizualizavam a beleza eu imergia completamente em livros e mais livros,o que me tornava mais e mais alienada aos olhos de todos e consequentemente quase não tendo amigos,mas eu não ligava muito pra isso.Estando com meus livros tudo estava perfeito.
Algumas pessoas me olharam com indiferença,mas outras me olhavam de uma forma um pouco...esnobe.Não dei a mínima para eles e sentei no banco do ponto.O ônibus chegou alguns minutos depois e era bem grande com tons de azul marinho nas laterais e verde oliva na frente e atrás.Eu nunca havia visto um ônibus tão estranho quanto aquele as cores éram muito esquisitas para um ônibus,mas eu realmente não podia fazer nada.Entrei no ônibus e fui uma das últimas a entrar,só havia lugar nos últimos acentos.Ao passar para chegar aos últimos acentos eu ouvi alguns sussurros como "nerd","estranha","esquisita" e outros sussurros dos meus novos colegas.Ao sentar na minha cadeira uma menina logo ocupou o lugar vizinho ao meu,ela provavelmente estava atrás de mim.Ela tinha cabelos lisos e ondulados nas pontas,usava um óculos de muitos graus pelo que pude perceber,tinha aparentemente 1,55 m,tinha a cor da pele tão branca como a minha,era bastante esguia e também era dona de grandes olhos castanho-escarlates.
Oi.-Começou ela antes que eu pudesse terminar de vizualizá-la.
Oi.-Nesse momento eu pensei comigo mesma:"eu tenho de parar com as análises alheias,as pessoas já estão começando a perceber,eu acho".
Ahm...bem...eu só queria dizer para não se preocupar...quer dizer,com os sussuros.Eles provavelmente falavam de mim.-Explicou-me ela.
Ora,é claro que não,eu realmente acho que eles sussurravam para mim.-Eu ainda pensava em como aquela menina podia ser mais baixa do que eu.Eu estava gargalhando por dentro mas me esforçava bastante para não soltar a gargalhada.
-Qual é o seu nome?-Perguntei ainda a analizando."Droga, Acho que isso é um vício não tem jeito..." Pensei.
-Ah, me desculpe.Tenho mania de falar com quem não conheço sem nem perguntar o nome antes,já virou hábito -Desculpou-se dando no fim um sorriso tímido -O meu nome é Maya Scarlett .E o seu?-Maya é um nome realmente bonito,nessa hora eu estava completamente invejosa,perguntando para mim mesma o que deu em mamãe e papai para me colocarem o nome de "CASSANDRA",que nome mais antiquado.Pensava até mesmo em mudá-lo.
-O meu é Cassandra Magraph.Muito prazer em conhecê-la...
-E então,qual é o seu motivo para vir para sunheart?-Eu realmente achei graça quando ela me perguntou isso...parecia que ir para sunheart fosse algo para se fazer só depois de algum motivo,uma tragédia talvez...
-Hum...bem,o diretor é amigo do meu pai e me arranjou uma bolsa integral com a condição de que eu trabalhe como bibliotecária.E você,algum motivo especial?-Dessa vez quase não consegui evitar o riso.Não sei porque mas isso era extremamente cômico.
-Sim,eu consegui uma bolsa integral tirando cem na prova de admissão!-Aquelas palavras me derrubaram completamente.A menina tinha olhos escarlate, o nome "Maya" e ainda era um supergênio.Minha nossa!Quase morri de inveja aquela vez,mas não queria demonstrar isso.
-Nossa,você tirou cem? Putz,me sinto no chão agora...
-O que é isso...A prova foi extremamente fácil.Se você tivesse feito, também teria se saído bem-Eu já tinha feito aquela prova,mas quando fiz,fiz de completa má vontade,ainda assim a prova estava extremamente difícil,afinal,a sunheart high school era uma das melhores escolas do país.Acabei tirando vinte e cinco me esforçando muito,mas ela nem podia sonhar, se não me sentiria ainda mais no chão.
-É, talvez,se eu tivesse feito,né...-Menti descaradamente,não poderia dizer outra coisa.
-Com certeza você teria se saído bem.E então,Cass,posso chamá-la assim?-Ela conseguiu até mesmo deixar o meu nome melhor.Sinceramente, nunca havia visto uma menina daquelas...ela era quase...irreal.
-Hum...só com uma condição.
-Qual?
-Se eu puder chamá-la de Aya.Vi esse nome em um mangá uma vez e achei o nome muito bonito.Então,o que acha?
-Sem problemas-Respondeu ela com um sorriso tímido novamente.
A viagem era realmente longa,conversamos por uma hora e meia até chegarmos em sunheart.Quando chegamos eu não pude crer no que estava diante de meus olhos.Sunheart era um colégio incrível só pela aparência,no meio da floresta "Tear princess" havia um castelo gigantesco com cascatas espalhadas pelo jardim,todos os tijolos usados éram de um cinza cristalino,além de ter até mesmo uma ponte que atravessava o lago para chegar ao castelo,tal qual os castelo da antiguidade.Eu não podia acreditar no que eu estava vendo,o castelo era surreal,uma coisa de pura fantasia da mente de um autor criativo.
Aya não se sentiu impressionada,permaneceu indiferente quando avistamos o castelo.Quando saímos do ônibus,um homem alto,demasiado magro e com os cabelos enrolados presos por um elástico,nos recebeu.
-Bem-vindas a Sunheart High School.Creio que somente os melhores do país estão aqui,pois este é o ônibus dos bolsistas integrais.Aqui poderão expressar suas inteligências acima da maioria,poderão dispor da melhor educação britânica,poderão...-Quando ele disse "bolsistas integrais",de uma certa forma,se referia a mim,mas eu nem fiz por merecer e isso me deixou um pouco frustrada,pela primeira vez me deu vontade de ter passado naquele exame,mais ainda,me deu vontade de provar para todos do que eu era capaz.Queria substituir a minha nota por um cem e ter merecido a bolsa,mas como aquilo não seria possível,decidi ser a melhor da turma para poder provar o que eu queria.
-Então é isso, gente, é somente isso o que eu queria dizer.A propósito, meu nome é Barnes, Barnes Wilson.Agora,façam fila!O seu monitor irá vir e levá-los até seus aposentos -Terminou nosso anfitrião.
Logo após o discurso de boas-vindas, apareceu nosso monitor.Uma figura baixa,seu corpo era bem magro, aliás, parece que a magresa excessiva era muito comum naquele lugar,já que Barnes, o anfitrião, compartilhava de mesma falta de peso.O monitor era loiro e tinha olhos esverdeados,um verde bem opaco,vestia um suéter marrom escuro com balõezinhos cinza-claros com as iniciais de "Sun Heart", uma calça social e sapatos bege que pareciam ser do século passado.
-Olá para todos.O meu nome é Ethan e eu sou o monitor da turma dos bolsistas.Por favor,se tiverem dúvidas sobre horário ou qualquer outra coisa,perguntem a mim.Agora por favor façam uma fila e sigam-me!-Exclamou nosso monitor meio brega.
Assim que adentramos o castelo, eu fiquei mais impressionada do que quando vimos por fora.A arquitetura era singular,algo que nunca havia visto antes.Demos logo de cara com os corredores que tinham armários negros para uso dos alunos,os pisos éram como um campo de xadrez,mas ao invés do clássico preto e branco,o branco dava lugar ao amarelo vivo,dando um charme incrível ao lugar.Nos espaços entre os armários,haviam quadros de avisos e no teto haviam calombos,como uma caverna só que linearmente harmonizados como as saliências do casco de uma tartaruga, era completamente revestido de um amarelo-ouro brilhante que realmente parecia ouro.
Ethan nos parou.
-Aqui é onde vocês poderão guardar seu material, além de vizualizarem os avisos.Os armários estão marcados com o número de matrícula de cada um.Este corredor é de uso exclusivo dos bolsistas.Alguma pergunta?-Questionou Ethan.
Um garoto gordinho e ruivo que estava duas pessoas atrás de mim levantou a mão.
-Sim,o que foi,senhor...-Deu uma rápida olhada na ficha que carregava-Sr. Justin Mussolini?-Naquela hora me veio à mente o nome do fascista italiano Benito Mussolini.Eu sei que não se deve julgar um livro pela capa,mas se seus pais se inspiraram naquele maldito fascista para pôr o nome no garoto,eu já começava a querer me afastar desse Justin.
-Como assim uso exclusivo dos bolsistas?Não há um corredor principal para todas as turmas?-Questionou Justin.
-Não,não há um corredor principal de alunos.Aqui em Sunheart os alunos são divididos entre bolsistas,os que pagam mensalidades e aqueles que foram convidados de honra.Cada classe de alunos possui seu próprio sistema de aulas e professores.Mais alguma pergunta?-Nessa hora eu tinha uma pergunta mas fiquei receosa quanto a levantar a mão,fiquei meio tensa na verdade mas tomei coragem e levantei.
-Sim,senhorita Magraph?-Dava para notar que Ethan gostava muito de responder questões relacionadas ao colégio.
-Existe alguma distinção entre o ensino de uma classe e outra?-Na verdade essa era uma pergunta fundamental,se eu não a fizesse,certamente alguém a faria.Era inevitável.
-Na verdade você ofende esta instituição,senhorita Magraph!-Fiquei realmente nervosa quando ele me disse aquilo.Na verdade eu já esperava esse tipo de reação,principalmente pelo pouco que pude conhecer da personalidade de Ethan.-A Sunheart High School jamais distinguiria o nível de ensino de uma classe para a outra.Essa foi uma pergunta muito mal fundamentada,esperava mais dos bolsistas deste ano.
Depois disso, a fila inteira ficou calada e estavam com umas caras de quem queria me matar.Aya,que estava atrás de mim,por outro lado,colocou a mão no meu ombro sorrateiramente e ficou com um sorriso no rosto.
-Não fique triste por isso.Com o que o sr. Ethan disse,qualquer um aqui queria fazer a mesma pergunta mas ninguém teve coragem.-Consolou ela,bem baixinho e com sua voz tímida.
-Tudo bem,Aya.Eu não me abalo facilmente.-Disse eu dando-lhe um tapinha na mão sobre meu ombro.Aya tirou a mão do meu ombro e pude ver que ficou mais tranquila.Na verdade, demonstrou ser uma boa amiga.
-Tudo bem,se não há mais perguntas,vamos em frente!-Disse Ethan ainda angustiado com a pergunta que eu havia feito.
Seguimos pelo corredor dos armários e adentramos em um grande salão principal.O salão era diferente de tudo o que eu já havia visto,me vi acima de uma plataforma e,olhando para a esquerda e direita,avistei duas torres.Olhando à minha frente,vi uma terceira torre,porém as duas torres da esquerda e direita estavam distantes de onde nós estávamos.A plataforma não era coberta,era somente uma plataforma que nos levava até a torre que estava à nossa frente,estávamos cercados por um imenso jardim que nos levava até as outras duas torres posteriores,cada uma no seu determinado lado.
-Então,meus caros bolsistas.-Disse Ethan interrompendo meu raciocínio- Aqui é a plataforma principal da Sunheart. É terminantemente proibido a qualquer aluno passar por esta plataforma fora de seu horário de buscar o material.Estão avisados.-Ethan pareceu mais severo com as palavras nesse aviso em especial.Deu pra sentir que não devíamos nem pensar em perambular pela plataforma fora de horário.
-Todo aquele que for pego zanzando por aqui fora de horário, será severamente punido.Estão entendidos?-Eu queria realmente saber o que significava "severamente punido" aqui em Sunheart.Como aqui tudo é diferente,queria saber o que aquilo significaria.
-Sim,senhor.-Respondemos em uníssono.
-Muito bem,vamos continuar!-Terminou Ethan.
Passamos pela plataforma e pude notar que o chão estava ilustrado com as mais famosas obras de arte de verdadeiros grandes mestres.Dentre elas, pude ver a "Mona Lisa", de da Vinci, "O grito", de Van Gogh e "A persistência da memória", de Salvador Dali.Estas foram as que pude reconhecer de olhar rapidamente,pensei em perguntar a Ethan o por que daquelas pinturas, mas apaguei essa idéia por causa da minha pergunta anterior ao mesmo.
Ao entrarmos na torre,pude perceber o quanto ela parecia grande por fora e por dentro,era maior ainda.Uma enorme escada no formato de caracol estava logo à nossa frente.O chão e as paredes éram cuidadosamente decoradas em pisos quadriculados,como os do corredor,só que esses éram vermelhos e pretos,que eu achava que éram as cores-tema da torre dos bolsistas.Subimos as escadas e vimos que a cada andar da torre exceto o térreo,haviam diversos corredores,era incrível ver o quanto a torre parecia enorme por dentro.Quando chegamos no terceiro andar em frente a um dos corredores, Ethan parou e virou de frente para a nossa fila.
-Bem,é aqui que deixo vocês,mas antes disso, preciso decidir só mais uma coisinha.Eu, como monitor desta classe,irei escolher agora um representante para quando eu não estiver com vocês.Esse representante terá a responsabilidade de separá-los em duplas e colocarem em seus respectivos quartos.Esta é uma missão-teste para o meu representante,podendo o mesmo ser substituído se não demonstrar competência perante meus olhos...-Ethan parou e deu uma boa olhada na nossa turma,olhando minuciosamente cada um dos calouros bolsistas.Por um lado até que foi legal eu ter me desentendido com Ethan,assim eu creio que já esteja fora de seu campo de visão para o cargo idiota de representante.-Sim,já me decidi!-Exclamou Ethan.Ele parecia ter achado a passoa perfeita para ser representante, mas felizmente o olhar de Ethan não parara na minha direção.-Você!-Disse Ethan apontando na direção de uma menina de cabelos negros,olhos negros acinzentados,um corpo mediano que combinava perfeitamente com ela e também tinha o seu rosto com uma aparência ao mesmo tempo angelical e maléfica.Ela estava a cinco pessoas atrás de mim.
-Dê um passoa à frente e apresente-se,por favor,senhorita.-Pediu Ethan.
-Sim,sr.Ethan.Meu nome é Ally Jonna.Prazer em conhecer a todos vocês.-Respondeu Ally achegando-se para frente. Acho que nesse momento eu finalmente consegui encontrar um nome mais feio do que o meu.Novamente esforcei-me para não rir daquilo tudo,se eu fosse a Aya,riria ainda mais, certamente.
-Hum...-Disse Ethan analizando-a com os olhos de baixo para cima.-Como eu pensei,minha intuição nunca falha.Você parece ser a garota perfeita para este cargo,senhorita Jonna.Agora,deixo tudo em suas mãos.Amanhã pela manhã bem cedo eu estarei aqui para executar a alvorada e levá-los até o refeitório.Comportem-se.Terminou Ethan,descendo as escadas para fora da torre.
-Bem pessoal...-Começou Ally com seu estranho jeito.-Bom,como eu não conheço os senhores ainda,decidam-se com que querem dividir o quarto,mas lembrem-se:meninos com meninos e meninas com meninas e, claro,não será permitida a entrada de meninos no quarto de meninas e vice-versa.Eu aconselho a todos que fiquem com quem conheceram da viagem de ônibus, eu ficarei com Ami, uma amiga que conheci na viagem,os que se decidirem primeiro vão adentrando seus quartos.-Apesar do rosto e jeito estranhos, Ally parecia uma boa líder e também uma boa pessoa pelo jeito como resolveu as coisas.Fiquei impressionada.Parecia que ela nem era caloura,parecia uma representante profissional e que era muito boa em sua profissão.
Na divisão,optei por adotar o conselho de Ally e convidei Aya para ser minha parceira de quarto,que sem mesmo pensar duas vezes, aceitou com aquele sorriso maroto no "estilo Aya".Entramos no quarto e nos espantamos com o tamanho daquele cômodo,era bem espaçoso mas era dividido em dois,cada lado tinha uma estante enorme para pôr livros e três prateleiras em cada lado,além de dois armários para colocarmos roupas.Eu deduzi que não poderíamos trazer os livros de matérias para o quarto,se não fosse assim, eu não imagino para que os armarios escolares lá no corredor serviriam.
Sem nem pensar,deixei minhas malas de lado para arrumar no dia seguinte,dei um "boa noite" a Aya e caí no sono mais profundo e intenso da minha vida.
Meus pais queriam me mandar para lá pois haviam arranjado uma vaga para mim no colégio com o diretor que é amigo de papai,desde que eu trabalhasse como bibliotecária já que moraria mesmo na escola enquanto estivesse estudando .Eu tentei entrar por meio de uma prova, contra a minha própria vontade,mas não consegui passar.Não sei se por falta de capacidade ou por falta de vontade,na verdade,eu estava morrendo por dentro por ter de deixar meus amigos que eu convivi durante toda a minha vida escolar, só por meus pais acharem que o ensino particular supera o público e também por quererem que eu curse a maior parte do ensino médio em uma escola particular de elite como a Sunheart.
-Vamos,senhorita Cassandra Magrath!Se continuar lenta desse jeito, vai perder o ônibus.Já arrumou suas coisas,certo?-Questionou mamãe da porta do banheiro,impaciente pelo fato de eu estar me arrumando de má vontade, para esperar o ônibus que viria buscar os alunos da parte norte da cidade, para levar para Sunheart.
-Sim,"senhora" Christine Magraph,já arrumei minhas malas e já estou saindo.-Respondi irônicamente terminando de pentear meus cabelos castanhos e enrolados que por sinal estava uma bagunça,desvalorizando completamente a cor que aderi nas férias,trocando o loiro "britânico" original pelo castanho escuro.Na verdade,eu sofria um pouco na escola antiga por minhas amigas serem bem mais soltas e atraentes do que uma pessoa de pele tão branca e estatura baixa,1,60 com 16 anos,15 na época mas de lá pra cá não vi crescimento algum.Acabei sendo um pouco influenciada por minha própria mente idiota a aderir a mesma cor do cabelo de Gabrielle M., a menina tida como a mais linda e mais popular da escola inteira,porém isso só importava até que eu fiquei sabendo que mudaria de colégio,daí em diante não serviu para mais nada.
Saí do banheiro e mamãe já estava com minhas duas malas na porta e os olhos cheios de lágrimas.Olhei para ela sem dizer uma palavra,como sempre fazíamos antes dos acampamentos e,assim mesmo,sem dizer uma palavra nos soltamos e eu fui até a porta também com os olhos lacrimejando de uma forma meio emotiva demais e eu não estava gostando nada daquilo.Passei minhas mãos sobre meus olhos,eliminando qualquer chance das pessoas na rua me verem nesse estado lamentável,mas ouvi quando estava quase fechando a porta,um susurro de mamãe dizendo "se cuida".Essa foi a primeira vez que a vi dizendo alguma coisa nesses momentos de despedida,acho que é porque ficaria lá por bastante tempo só retornando a cada 3 meses para passar 1 semana com os pais,o que eu achava bem diferente do programa de qualquer escola que eu já tivesse visto na minha vida inteira.Saí de casa e papai logo veio pegar minhas malas para irmos para o ponto central onde o ônibus nos pegaria.A viagem de carro demorou meia hora até o ponto e nem uma palavra foi dita nem por mim,nem por papai,que pelo visto estava bem nervoso em me deixar ir.
Chegamos ao ponto e estavam mais umas 30 pessoas esperando o ônibus.Pelo menos as pessoas pareciam normais,a normalidade era muito rara pelo que eu pude ver das regras desse colégio.Eu já havia ouvido falar e na minha escola antiga diziam que a escola é um castelo muito velho e tradicional.Lá o único meio de transporte que passa é o ônibus que estou prestes a entrar e só para levar ou trazer alunos para a escola.O único ponto positivo disso tudo seria a biblioteca que eu trabalharia,eu ficava imaginando a riqueza de livros raros que deveriam haver naquele lugar,eu mal podia esperar para ler todos eles,tal como se espera de uma tarada por livros de todos os tipos.Enquanto todas as meninas do meu antigo colégio só vizualizavam a beleza eu imergia completamente em livros e mais livros,o que me tornava mais e mais alienada aos olhos de todos e consequentemente quase não tendo amigos,mas eu não ligava muito pra isso.Estando com meus livros tudo estava perfeito.
Algumas pessoas me olharam com indiferença,mas outras me olhavam de uma forma um pouco...esnobe.Não dei a mínima para eles e sentei no banco do ponto.O ônibus chegou alguns minutos depois e era bem grande com tons de azul marinho nas laterais e verde oliva na frente e atrás.Eu nunca havia visto um ônibus tão estranho quanto aquele as cores éram muito esquisitas para um ônibus,mas eu realmente não podia fazer nada.Entrei no ônibus e fui uma das últimas a entrar,só havia lugar nos últimos acentos.Ao passar para chegar aos últimos acentos eu ouvi alguns sussurros como "nerd","estranha","esquisita" e outros sussurros dos meus novos colegas.Ao sentar na minha cadeira uma menina logo ocupou o lugar vizinho ao meu,ela provavelmente estava atrás de mim.Ela tinha cabelos lisos e ondulados nas pontas,usava um óculos de muitos graus pelo que pude perceber,tinha aparentemente 1,55 m,tinha a cor da pele tão branca como a minha,era bastante esguia e também era dona de grandes olhos castanho-escarlates.
Oi.-Começou ela antes que eu pudesse terminar de vizualizá-la.
Oi.-Nesse momento eu pensei comigo mesma:"eu tenho de parar com as análises alheias,as pessoas já estão começando a perceber,eu acho".
Ahm...bem...eu só queria dizer para não se preocupar...quer dizer,com os sussuros.Eles provavelmente falavam de mim.-Explicou-me ela.
Ora,é claro que não,eu realmente acho que eles sussurravam para mim.-Eu ainda pensava em como aquela menina podia ser mais baixa do que eu.Eu estava gargalhando por dentro mas me esforçava bastante para não soltar a gargalhada.
-Qual é o seu nome?-Perguntei ainda a analizando."Droga, Acho que isso é um vício não tem jeito..." Pensei.
-Ah, me desculpe.Tenho mania de falar com quem não conheço sem nem perguntar o nome antes,já virou hábito -Desculpou-se dando no fim um sorriso tímido -O meu nome é Maya Scarlett .E o seu?-Maya é um nome realmente bonito,nessa hora eu estava completamente invejosa,perguntando para mim mesma o que deu em mamãe e papai para me colocarem o nome de "CASSANDRA",que nome mais antiquado.Pensava até mesmo em mudá-lo.
-O meu é Cassandra Magraph.Muito prazer em conhecê-la...
-E então,qual é o seu motivo para vir para sunheart?-Eu realmente achei graça quando ela me perguntou isso...parecia que ir para sunheart fosse algo para se fazer só depois de algum motivo,uma tragédia talvez...
-Hum...bem,o diretor é amigo do meu pai e me arranjou uma bolsa integral com a condição de que eu trabalhe como bibliotecária.E você,algum motivo especial?-Dessa vez quase não consegui evitar o riso.Não sei porque mas isso era extremamente cômico.
-Sim,eu consegui uma bolsa integral tirando cem na prova de admissão!-Aquelas palavras me derrubaram completamente.A menina tinha olhos escarlate, o nome "Maya" e ainda era um supergênio.Minha nossa!Quase morri de inveja aquela vez,mas não queria demonstrar isso.
-Nossa,você tirou cem? Putz,me sinto no chão agora...
-O que é isso...A prova foi extremamente fácil.Se você tivesse feito, também teria se saído bem-Eu já tinha feito aquela prova,mas quando fiz,fiz de completa má vontade,ainda assim a prova estava extremamente difícil,afinal,a sunheart high school era uma das melhores escolas do país.Acabei tirando vinte e cinco me esforçando muito,mas ela nem podia sonhar, se não me sentiria ainda mais no chão.
-É, talvez,se eu tivesse feito,né...-Menti descaradamente,não poderia dizer outra coisa.
-Com certeza você teria se saído bem.E então,Cass,posso chamá-la assim?-Ela conseguiu até mesmo deixar o meu nome melhor.Sinceramente, nunca havia visto uma menina daquelas...ela era quase...irreal.
-Hum...só com uma condição.
-Qual?
-Se eu puder chamá-la de Aya.Vi esse nome em um mangá uma vez e achei o nome muito bonito.Então,o que acha?
-Sem problemas-Respondeu ela com um sorriso tímido novamente.
A viagem era realmente longa,conversamos por uma hora e meia até chegarmos em sunheart.Quando chegamos eu não pude crer no que estava diante de meus olhos.Sunheart era um colégio incrível só pela aparência,no meio da floresta "Tear princess" havia um castelo gigantesco com cascatas espalhadas pelo jardim,todos os tijolos usados éram de um cinza cristalino,além de ter até mesmo uma ponte que atravessava o lago para chegar ao castelo,tal qual os castelo da antiguidade.Eu não podia acreditar no que eu estava vendo,o castelo era surreal,uma coisa de pura fantasia da mente de um autor criativo.
Aya não se sentiu impressionada,permaneceu indiferente quando avistamos o castelo.Quando saímos do ônibus,um homem alto,demasiado magro e com os cabelos enrolados presos por um elástico,nos recebeu.
-Bem-vindas a Sunheart High School.Creio que somente os melhores do país estão aqui,pois este é o ônibus dos bolsistas integrais.Aqui poderão expressar suas inteligências acima da maioria,poderão dispor da melhor educação britânica,poderão...-Quando ele disse "bolsistas integrais",de uma certa forma,se referia a mim,mas eu nem fiz por merecer e isso me deixou um pouco frustrada,pela primeira vez me deu vontade de ter passado naquele exame,mais ainda,me deu vontade de provar para todos do que eu era capaz.Queria substituir a minha nota por um cem e ter merecido a bolsa,mas como aquilo não seria possível,decidi ser a melhor da turma para poder provar o que eu queria.
-Então é isso, gente, é somente isso o que eu queria dizer.A propósito, meu nome é Barnes, Barnes Wilson.Agora,façam fila!O seu monitor irá vir e levá-los até seus aposentos -Terminou nosso anfitrião.
Logo após o discurso de boas-vindas, apareceu nosso monitor.Uma figura baixa,seu corpo era bem magro, aliás, parece que a magresa excessiva era muito comum naquele lugar,já que Barnes, o anfitrião, compartilhava de mesma falta de peso.O monitor era loiro e tinha olhos esverdeados,um verde bem opaco,vestia um suéter marrom escuro com balõezinhos cinza-claros com as iniciais de "Sun Heart", uma calça social e sapatos bege que pareciam ser do século passado.
-Olá para todos.O meu nome é Ethan e eu sou o monitor da turma dos bolsistas.Por favor,se tiverem dúvidas sobre horário ou qualquer outra coisa,perguntem a mim.Agora por favor façam uma fila e sigam-me!-Exclamou nosso monitor meio brega.
Assim que adentramos o castelo, eu fiquei mais impressionada do que quando vimos por fora.A arquitetura era singular,algo que nunca havia visto antes.Demos logo de cara com os corredores que tinham armários negros para uso dos alunos,os pisos éram como um campo de xadrez,mas ao invés do clássico preto e branco,o branco dava lugar ao amarelo vivo,dando um charme incrível ao lugar.Nos espaços entre os armários,haviam quadros de avisos e no teto haviam calombos,como uma caverna só que linearmente harmonizados como as saliências do casco de uma tartaruga, era completamente revestido de um amarelo-ouro brilhante que realmente parecia ouro.
Ethan nos parou.
-Aqui é onde vocês poderão guardar seu material, além de vizualizarem os avisos.Os armários estão marcados com o número de matrícula de cada um.Este corredor é de uso exclusivo dos bolsistas.Alguma pergunta?-Questionou Ethan.
Um garoto gordinho e ruivo que estava duas pessoas atrás de mim levantou a mão.
-Sim,o que foi,senhor...-Deu uma rápida olhada na ficha que carregava-Sr. Justin Mussolini?-Naquela hora me veio à mente o nome do fascista italiano Benito Mussolini.Eu sei que não se deve julgar um livro pela capa,mas se seus pais se inspiraram naquele maldito fascista para pôr o nome no garoto,eu já começava a querer me afastar desse Justin.
-Como assim uso exclusivo dos bolsistas?Não há um corredor principal para todas as turmas?-Questionou Justin.
-Não,não há um corredor principal de alunos.Aqui em Sunheart os alunos são divididos entre bolsistas,os que pagam mensalidades e aqueles que foram convidados de honra.Cada classe de alunos possui seu próprio sistema de aulas e professores.Mais alguma pergunta?-Nessa hora eu tinha uma pergunta mas fiquei receosa quanto a levantar a mão,fiquei meio tensa na verdade mas tomei coragem e levantei.
-Sim,senhorita Magraph?-Dava para notar que Ethan gostava muito de responder questões relacionadas ao colégio.
-Existe alguma distinção entre o ensino de uma classe e outra?-Na verdade essa era uma pergunta fundamental,se eu não a fizesse,certamente alguém a faria.Era inevitável.
-Na verdade você ofende esta instituição,senhorita Magraph!-Fiquei realmente nervosa quando ele me disse aquilo.Na verdade eu já esperava esse tipo de reação,principalmente pelo pouco que pude conhecer da personalidade de Ethan.-A Sunheart High School jamais distinguiria o nível de ensino de uma classe para a outra.Essa foi uma pergunta muito mal fundamentada,esperava mais dos bolsistas deste ano.
Depois disso, a fila inteira ficou calada e estavam com umas caras de quem queria me matar.Aya,que estava atrás de mim,por outro lado,colocou a mão no meu ombro sorrateiramente e ficou com um sorriso no rosto.
-Não fique triste por isso.Com o que o sr. Ethan disse,qualquer um aqui queria fazer a mesma pergunta mas ninguém teve coragem.-Consolou ela,bem baixinho e com sua voz tímida.
-Tudo bem,Aya.Eu não me abalo facilmente.-Disse eu dando-lhe um tapinha na mão sobre meu ombro.Aya tirou a mão do meu ombro e pude ver que ficou mais tranquila.Na verdade, demonstrou ser uma boa amiga.
-Tudo bem,se não há mais perguntas,vamos em frente!-Disse Ethan ainda angustiado com a pergunta que eu havia feito.
Seguimos pelo corredor dos armários e adentramos em um grande salão principal.O salão era diferente de tudo o que eu já havia visto,me vi acima de uma plataforma e,olhando para a esquerda e direita,avistei duas torres.Olhando à minha frente,vi uma terceira torre,porém as duas torres da esquerda e direita estavam distantes de onde nós estávamos.A plataforma não era coberta,era somente uma plataforma que nos levava até a torre que estava à nossa frente,estávamos cercados por um imenso jardim que nos levava até as outras duas torres posteriores,cada uma no seu determinado lado.
-Então,meus caros bolsistas.-Disse Ethan interrompendo meu raciocínio- Aqui é a plataforma principal da Sunheart. É terminantemente proibido a qualquer aluno passar por esta plataforma fora de seu horário de buscar o material.Estão avisados.-Ethan pareceu mais severo com as palavras nesse aviso em especial.Deu pra sentir que não devíamos nem pensar em perambular pela plataforma fora de horário.
-Todo aquele que for pego zanzando por aqui fora de horário, será severamente punido.Estão entendidos?-Eu queria realmente saber o que significava "severamente punido" aqui em Sunheart.Como aqui tudo é diferente,queria saber o que aquilo significaria.
-Sim,senhor.-Respondemos em uníssono.
-Muito bem,vamos continuar!-Terminou Ethan.
Passamos pela plataforma e pude notar que o chão estava ilustrado com as mais famosas obras de arte de verdadeiros grandes mestres.Dentre elas, pude ver a "Mona Lisa", de da Vinci, "O grito", de Van Gogh e "A persistência da memória", de Salvador Dali.Estas foram as que pude reconhecer de olhar rapidamente,pensei em perguntar a Ethan o por que daquelas pinturas, mas apaguei essa idéia por causa da minha pergunta anterior ao mesmo.
Ao entrarmos na torre,pude perceber o quanto ela parecia grande por fora e por dentro,era maior ainda.Uma enorme escada no formato de caracol estava logo à nossa frente.O chão e as paredes éram cuidadosamente decoradas em pisos quadriculados,como os do corredor,só que esses éram vermelhos e pretos,que eu achava que éram as cores-tema da torre dos bolsistas.Subimos as escadas e vimos que a cada andar da torre exceto o térreo,haviam diversos corredores,era incrível ver o quanto a torre parecia enorme por dentro.Quando chegamos no terceiro andar em frente a um dos corredores, Ethan parou e virou de frente para a nossa fila.
-Bem,é aqui que deixo vocês,mas antes disso, preciso decidir só mais uma coisinha.Eu, como monitor desta classe,irei escolher agora um representante para quando eu não estiver com vocês.Esse representante terá a responsabilidade de separá-los em duplas e colocarem em seus respectivos quartos.Esta é uma missão-teste para o meu representante,podendo o mesmo ser substituído se não demonstrar competência perante meus olhos...-Ethan parou e deu uma boa olhada na nossa turma,olhando minuciosamente cada um dos calouros bolsistas.Por um lado até que foi legal eu ter me desentendido com Ethan,assim eu creio que já esteja fora de seu campo de visão para o cargo idiota de representante.-Sim,já me decidi!-Exclamou Ethan.Ele parecia ter achado a passoa perfeita para ser representante, mas felizmente o olhar de Ethan não parara na minha direção.-Você!-Disse Ethan apontando na direção de uma menina de cabelos negros,olhos negros acinzentados,um corpo mediano que combinava perfeitamente com ela e também tinha o seu rosto com uma aparência ao mesmo tempo angelical e maléfica.Ela estava a cinco pessoas atrás de mim.
-Dê um passoa à frente e apresente-se,por favor,senhorita.-Pediu Ethan.
-Sim,sr.Ethan.Meu nome é Ally Jonna.Prazer em conhecer a todos vocês.-Respondeu Ally achegando-se para frente. Acho que nesse momento eu finalmente consegui encontrar um nome mais feio do que o meu.Novamente esforcei-me para não rir daquilo tudo,se eu fosse a Aya,riria ainda mais, certamente.
-Hum...-Disse Ethan analizando-a com os olhos de baixo para cima.-Como eu pensei,minha intuição nunca falha.Você parece ser a garota perfeita para este cargo,senhorita Jonna.Agora,deixo tudo em suas mãos.Amanhã pela manhã bem cedo eu estarei aqui para executar a alvorada e levá-los até o refeitório.Comportem-se.Terminou Ethan,descendo as escadas para fora da torre.
-Bem pessoal...-Começou Ally com seu estranho jeito.-Bom,como eu não conheço os senhores ainda,decidam-se com que querem dividir o quarto,mas lembrem-se:meninos com meninos e meninas com meninas e, claro,não será permitida a entrada de meninos no quarto de meninas e vice-versa.Eu aconselho a todos que fiquem com quem conheceram da viagem de ônibus, eu ficarei com Ami, uma amiga que conheci na viagem,os que se decidirem primeiro vão adentrando seus quartos.-Apesar do rosto e jeito estranhos, Ally parecia uma boa líder e também uma boa pessoa pelo jeito como resolveu as coisas.Fiquei impressionada.Parecia que ela nem era caloura,parecia uma representante profissional e que era muito boa em sua profissão.
Na divisão,optei por adotar o conselho de Ally e convidei Aya para ser minha parceira de quarto,que sem mesmo pensar duas vezes, aceitou com aquele sorriso maroto no "estilo Aya".Entramos no quarto e nos espantamos com o tamanho daquele cômodo,era bem espaçoso mas era dividido em dois,cada lado tinha uma estante enorme para pôr livros e três prateleiras em cada lado,além de dois armários para colocarmos roupas.Eu deduzi que não poderíamos trazer os livros de matérias para o quarto,se não fosse assim, eu não imagino para que os armarios escolares lá no corredor serviriam.
Sem nem pensar,deixei minhas malas de lado para arrumar no dia seguinte,dei um "boa noite" a Aya e caí no sono mais profundo e intenso da minha vida.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
-UnTiTlEd- capítulo 1-Alvorada- parte 1
É realmente complicado viver em um mundo onde você nada sabe sobre muita coisa.Quando você vive em volta de omissores.Mesmo sabendo que você sabe que algo está rolando,não soltam nem a pancada o que realmente importa.É exatamente assim que eu vivi até agora,sendo somente um observador e muito dificilmente um questionador de o porque de mamãe mudar de estado cada vez que o inverno estava prestes a chegar.É exatamente por isso que eu realmente odeio inverno e seu frio intenso e angustiante,principalmente porque sempre moramos em cidades muito frias, pequenas e normalmente sem graça nenhuma.
Um dia antes de meu aniversário era exatamente um dia antes de começar o inverno.No dia vinte de dezembro,quando eu já havia me familiarizado com tudo da cidade, os lugares,amigos e etc.Geralmente era quando mamãe decidia que tínhamos que partir.Eu nunca podia comemorar meu aniversário com meus amigos.Sempre comemorava sozinho pois era recém chegado na cidade e realmente não conhecia ninguém,por isso,sempre odiei as cinco mudanças que já tivemos até hoje depois da morte do papai em um acidente de carro.Segundo mamãe,o acidente foi provocado por um motorista bêbado que avançou o sinal.mamãe teve leves ferimentos mas papai,como estava ao lado do impacto,acabou não resistindo,isso aconteceu quando eu tinha doze anos.
Quando eu estava prestes a fazer dezessete anos,no dia 20 de dezembro,um dia antes, como sempre eu estava no quarto,deitado na cama.Procurando por uma resposta que eu realmente não conseguia alcançar,éram dez horas da manhã e ouvi batidas na porta.
-Calleb,desça um pouco,filho.Preciso falar com você!.-Chamou calmamente mamãe,como sempre fazia quando essa época chegava.
-Já vou descer,mãe.Já estou indo!.-Respondi com uma voz desanimada que ela certamente percebeu mas como sempre ignoravam, como se nada estivesse acontecendo.
Levantei-me da cama,pus meus all stars azul escuros e desci em direção a sala de estar.Quando cheguei,mamãe estava sentada no sofá branco,com uma chícara de café na mesinha de madeira ao lado e uma revista local que ela assinava.
-O que foi,mãe?-Perguntei.Jogando novamente aquela voz desapontada, com uma tola esperança de que funcionasse como nunca funcionou.Nem ao menos me sentei pois já sabia bem a resposta.
-Filho...precisamos ir...sair dessa cidade...desse estado .-Disse ela com uma voz meio melancólica mas ao mesmo tempo firme.
-Você poderia ao menos me dizer o porque dessa vez,mãe?-Bradei eu.Impaciente.
-Acalme-se filho,sente-se.-Pediu ela com um pouco de angústia nos olhos,o que fez com que eu notasse que aquilo realmente não era a vontade dela.Me sentei jogando-me sobre o sofá preto que ficava logo á frente do branco,pois mamãe achou que daria um contraste na sala.
-Pois bem...-Continuou ela.-Aconteceram alguns problemas no trabalho e...
-Isso é o que você sempre me diz,mãe.Conte-me a verdade!-interrompi realmente ficando irritado.
-Essa é a verdade,meu filho.Arrume as suas malas,o vôo é ás 15:00.Isso lhe dará tempo de despedir-se de seus amigos e fazer o que tem que fazer.-Depois disso ela saiu logo em seguida,sem me dar a chance de retrucar ou protestar como eu sempre fazia.
Terminei de arrumar minhas malas ás 11:00 e almocei ás 11:30 para que pudesse ter tempo de me despedir dos poucos amigos que pude formar nesse curto período de tempo.Vesti minha camisa pólo azul escura e pus o casaco preto de couro de meu pai ,que ele me deu antes de morrer,atendendo a um pedido meu por venerar o casaco embora não cabesse em mim na época,agora servia perfeitamente.Vesti minha clássica calça jeans também escuro,peguei minha bicicleta na garagem e saí pedalando naquele frio fim de outono,passei por entre as árvores amarelo alaranjadas e as folhas pelo chão,ao mesmo tempo que o vento frio anunciava a chegada do outono,por isso as ruas estavam extremamente desertas mesmo estando em detroid,que logo deixaria de ser meu lar.Logo eu estaria deixando o Michigan mesmo.
Comecei a dar pedaladas mais rápidas pois o frio começara a ficar intenso.A primeira casa era a de Bob,que ficava a umas três quadras da minha.Era uma casa relativamente simples,pois a mãe de Bob era uma mulher bastante pobre,por isso a casa era completamente feita de madeira com exceção das janelas que óbviamente éram de vidro.Chegando perto da casa,pude ver Bob sentado no telhado da casa,com um olhar um tanto distante.
-Ei!Bob,pode descer aqui um instante?-chamei-o aos berros.Ele deu uma olhada para baixo e fez um sinal para que eu esperasse.Depois disso,ele entrou na janela superior da casa,pela qual tinha saído para ficar no telhado,segundo ele,um hobby nas horas vagas.Um minuto depois,vejo Bob sair pela porta da frente,com uma cara de quem estava se sentindo incomodado.
-E aí,cara.O que você manda?-Questionou Bob,tentando disfarçar seu total incômodo pela minha presença incômoda.
-Bom,Bob,lembra quando eu disse no começo do ano que minha mãe no inverno muda de estado?
-Lembro sim,cara.Você havia dito que ela do nada te falava que iria se mudar e pronto,não foi? Eu até achei que era brincadeira.-Respondeu ele,com outra pergunta ,tentando refrescar sua memória fraca.
-Sim,isso mesmo!
-Putz,deve ser uma barra aguentar ter que trocar de estado,colégio,amigos e etc.
-Você nem imagina.
-Mas isso logo logo passa.Daqui a pouco você vai estar indo para a faculdade e não vai mais precisar morar com sua mãe,daí você estará livre.
-É,pensando por esse lado...
-É,mas pensando por outro...-Interrompeu-me ele dando uns risinhos sarcásticos no final da frase.
-Como assim "pensando por outro"?que diabos você quer dizer com isso?-respondi meio alterado.
-você sabe!-Disse ele sorrindo.
-Não faço idéia do que você pode estar falando...fale mais claramente,sem enrolação.
-Tudo bem.E quanto a Jenny?
-Q...q...que Jenny??o que ela tem a ver com isso?
-Você parece um pimentão agora,sabia?-Concluiu ele aos berros de tanto gargalhar.
-Hum...certo,eu acho que você venceu dessa vez...-disse eu de cabeça baixa,entregando completamente o jogo.Desde que eu entrei no couldhouse high school,eu me encantei por Jenny Gail,uma colega de classe que um dia me ajudou com um trabalho de aritmética.Ela foi em minha casa e nós conversamos um pouco sobre o trabalho e sobre mim e ela de uma forma descontraída e despretenciosa.Desde esse dia eu venho guardado esse segredo a sete chaves,agora descoberto por Bob,e se ele percebeu,certamente mais pessoas devem ter a mesma opinião,o que me fez pensar por um momento se ela mesma já não havia notado.O que me desesperava completamente.
-Você acha que ela notou o que você notou?-Perguntei sem pensar.
-Bom,pelo pouco que conheço da Jenny,acho que ela diria ou expressaria algo se desconfiasse de alguma coisa,porém...
-"Porém" o quê?me diz logo,Bob!-Já estava ficando impaciente com a maneira com que Bob falava tudo e nada ao mesmo tempo,deixava as frases incompletas.Logo as mais importantes.
-Porém outra pessoa pode ter percebido assim como eu percebi.Sei lá,vai que foi uma amiga dela,pode muito bem passar pra ela,né?mas por agora acho que isso ainda não aconteceu.
-Ufa!quase tive um infarto agora!-disse eu,ofegante como se tivesse corrido dez maratonas.
-Mas nem sei por que você ainda se importa,uma vez que vai se mudar mesmo não faz diferença alguma.
-É verdade,acho que é força do hábito por eu ter guardado esse segredo durante o ano inteiro.Fiquei aficcionado nisso,eu acho.
-É,relaxa aí,cara,não tem o que temer.Quando você parte?
-Ás 15:00 esta tarde.Isso me fez lembrar que já estou atrasado para me despedir dos outros.Tô indo nessa,Bob!-Disse eu,esticando o braço para o aperto de mão de despedida.
-Bom,acho que é isso,Calleb,quando for "grande" venha me visitar-Brincou Bob esticando o braço de encontro com o meu.
Logo após dizer adeus a Bob,peguei minha bicicleta e voltei a estrada, a casa mais próxima seria a casa de Ryan,ficava a quatro quarteirões de Bob.A tarde caía e parece que já estava anoitecendo de tanto frio que estava fazendo.Pus o capus de couro que esquentava bem e continuei a pedalar.Tive a sensação de estar sendo seguido,mas olhei para trás e nada via,achei melhor começar a pedalar mais rápido ainda embora fosse perigoso com um chão tão úmido.Já podia ver a casa de Ryan de onde eu estava,era grande,com quintal espaçoso.Os pais de Ryan tinham uma boa condição apesar de ele não ligar muito para isso,a última vez que falei com ele,estava montando sua banda de rock heavy metal,era o estilo dele.
Mesmo estando perto da casa de Ryan,ainda pedalava sentindo aquela presença que parecia me fuzilar pelas costas e o frio não parava de ficar mais intenso.De repente minha bicicleta saiu do chão em um movimento como se eu tivesse passado por uma pedra grande,o tombo me jogou no chão com força e ainda me arrastou alguns centímetros,fazendo eu ralar a perna e ficar com uma dor desgraçada.Quando tentava me levantar,olhei para a frentee vi um homem com um casaco negro e calça jeans preta,pelo que vi,ele era alto,beirava 1,85 m ,tinha olhos grandes e pareciam vorazes,uma pele branca como o céu cheio de nuvens,tinha cabelos curtos negros e lisos jogados para trás,e me olhava de uma forma realmente assustadora.No momento em que pisquei,vi que ele não estava mais ali.Olheia para os lados e também não o vi,olhei para trás e a única coisa que pude sentir foi uma dor aguda e um impacto que fez novamente eu me espatifar no chão,dessa vez com muito mais violência do que quando caí com a bicicleta,acho que ele havia me dado um tapa,mas da forma como doeu e da forma como caí para trás constatei que a força realmente não era comum.
Levantei-me assustado e dolorido no rosto e na perna e a única coisa que pude pensar naquele momentoi foi correr,não importava se ele me alcançaria,eu só não queria estar mais ali.Corri em direção a casa de Ryan que estava mais perto mas quando dei o quinto passo,aquela figura estranha apareceu na minha frente de uma forma realmente impressionante.
-Quem é você?-Questionei eu,desesperadamente em uma tentativa de me me salvar.
-me responda uma pergunta...-respondeu ele com um sorriso assustadoramente sarcástico.
-Você costuma pedir pizza,certo?-Continuou ele.-Você costuma dizer seu nome a ela antes de comê-la?-Perguntou ele,com um sarcasmo assassino.Arregalei meus olhos diante daquela pessoa que definitivamente queria me matar e o desespero aumentou em cem por cento devido ao fato de eu não poder me desender e nem se quer fugir.
Em um movimento rapidamente executado para as minhas costas,ele segurou os meus dois braços e os apertou com uma força sobre humana olhei para trás,sabendo que aquele seria meu fim e vi que seus dentes caninos estavam extremamente vorpas e pareciam afiadíssimos como os dentes de um lobo ou coisa parecida.Parecia com os vampiros que vi em filmes e li em livros.Seus dentes lentamente chegavam até meu pescoço.
-Vai ser um grande prazer alimentar-me de sangue "real".-Disse ele como úlitimas palavras que eu ouviria.
-Real?Do que você está falando,cara?Por que não vai caçar alguém melhor,hein?Eu sou tão magro...-Tentava me afastar dele enquanto terminava a frase.
-Eu não me alimento de sua carne e sim do seu sangue...-Respondeu ele dando risadas.Ele se divertia com o meu desespero.
Fiquei sem forças e minha cabeça estava tão confusa ao mesmo tempo que extremamente desesperada.Ele encostou os dentes em meu pescoço mas não chegou a perfurá-lo.Eu suava frio e meus olhos estavam arregalados quando o chão começou a se quebrar rachando-se,as árvores balançavam de tal forma que parecia o prelúdio de um tornado.Senti seus dentes desencostando de minha pele e tive tempo de ouví-lo dizer-Que sorte você tem,pequeno príncipe vermelho,a cavalaria chegou bem na hora.Curta seus últimos momentos de vida...-Depois disso,desmaiei.
Acordei na casa de Ryan com ele e sua irmã Celline me observando.
-Ah!que bom que você acordou,Calleb!-Gritou Celline ao me ver abrir os olhos.
-Até que enfim,bela adormecida-Brincou Ryan.Enquanto eles falavam,eu pensava se deveria contar-lhes o que eu lembrava,mas pensei que mesmo se eu contasse ninguém acreditaria.
Como foi que vocês me encontraram?-Perguntei tentando mudar o rumo de uma conversa que eu não queria que começasse.
-Você estava caído de cara no chão frio e a bicicleta,jogada no chão.Achei que você estivesse sofrido um tombo feio e vi que estava um pouco ferido,então o trouxe para cá e cuidamos de você.-Explicou Ryan-O que aconteceu?-Questionou Ryan começando a conversa que tentei evitar antes.Na hora até pensei em contar tudo mas algo me dizia para mentir.
-Exatamente o que você supôs.Caí de bike no chão escorregadio de uma forma extremamente idiota e tosca.Nossa! quando penso no tombo tenho raiva de mim mesmo...-Menti tentando parecer o mais convincente possível e felizmente as evidências estavam do meu lado,ao menos evitavam que pensassem algo diferente.
-Nossa!parece que foi realmente um tombo feio.Pra você ter desacordado,o tombo deve ter sido bem feio.O mano disse que vocè quase não se feriu...-Celline tentava que eu explicasse melhor o que havia ocorrido.
-Bem,eu devo ter batido a cabeça,isso explica o meu desmaio e a causa de não haver tantos ferimentos e...CARAMBA!-Levantei-me depressa.-QUE HORAS SÃO?!
-Bom,agora são 14:30.-Respondeu Ryan.
-Que droga! esqueci completamente da viagem.Tenho de ir para casa imediatamente.-Saí com uma velocidade incrível para alguém que estava com a perna ralada e meio zonzo e abri a porta.
-Espera,cara! espera mais um pouco,você acabou de acordar!-Gritou Celline,preocupada.
-Não se preocupe,estou bem.Tenho que pegar um vôo mas um dia voltarei para visitar vocês.De lá eu mando um e-mail explicando tudo.Vou nessa!-Bati a porta e senti o choque térmico da temperatura do aquecedor para o rigoroso inverno que estava chegando fora da casa de Ryan,mesmo assim,corri como louco,peguei a bicicleta e pedalei rápido mas com um pouco mais de cautela.Ainda estava perplexo e assustado com tudo que havia acontecido,minha mente relutava em crer naquele que se dizia "vampiro" e tinha realmente a aparência de alguns que vi em filmes.
Depois de alguns minutos,já podia ver a minha casa e como imaginei,mamãe estava com as malas na porta me esperando e pela cara dela...
-O que aconteceu,Calleb?eu estava te esperando por quarenta minutos aqui.O que houve,você está todo sujo e com a calça rasgada...-Começou ela,preocupada.
-Bom,desculpe,mãe,eu tive alguns contratemposno caminho da casa dos meus amigos e acabei também levando um tombo.-É claro que eu não diria a verdade para mamãe,sei que ela explodiria se eu contasse algo assim.
-Como é?-Perguntou ela arregalando os olhos e começando a checar minha perna.-Você se machucou?-Continuou ela.
-Não foi nada,mãe,foram só arranhões,nada de mais.Não se preocupe.Agora vamos,já estamos extremamente atrasados.
-Certo,mas veremos isso com mais calma no avião.
-Tudo bem,mas agora só temos que ir.-Disse eu extremamente apressado.
Mamãe e eu entramos no carro,nosso velho Corsa classic 2005 verde-selva ,carro comprado por papai no ano de sua morte.Já estava um pouco ultrapassado para 2010,mas eu nunca deixei de adorar esse carro.
Pegamos a estrada principal e fomos direto ao aeroporto Charlie Dean o mais rápido possível,embora mamãe estivesse atenta pela pista úmida e cheia de possas d'agua pelo trajeto.Em menos de meia hora chegamos ao aeroporto.Não estava tão cheio então compramos a passagem desesperados pelo adiantado da hora, mas tivemos sorte pois o vôo atrasara por causa de previsão de tempestade.Logo depois de termos comprado nossa passagem,veio o aviso por meio dos funcionários que o vôo atrasariaem duas horas aproximadamente,então esperamos sentados nas cadeiras do aeroporto junto com mais vinte passageiros.
-Mãe!-Chamei-a de repente.
-O que foi,Calleb?
-Com toda essa confusão,esqueci até de perguntar onde iríamos.-Percebi naquela hora que nem mesmo havia me dado conta de que não sabia para onde iríamos.-Pra onde nós vamos?-Mamãe parou por um instante.
-Bear creek,fica no Alaska.-Revelou mamãe querendo não ter que revelar agora,pois sabia como eu ficaria.
-Como é?No Alaska?Quando pretendia me dizer que vou passar até o ano que vem no pior estado norte americano?-Fiquei realmente irritado com a notícia repentina.Já imaginava que iríamos para um estado frio mas a última opção seria realmente o Alaska.Mamãe parecia estar pirando.
-Se acalme,Calleb.Nós só vamos ficar lá uma temporada até eu achar um lugar melhor...
-Qualquer lugar é melhor que o canadá,mãe!-Interrompi.Depois disso,mamãe ficou calada até o fim da viagem com cara de quem não sabia o que dizer.
Chegamos ao aeroporto do alaska e logo tomamos um táxi para a casa nova.O caminho do aeroporto até em casa foi silencioso,nem eu nem mamãe falamos nada durante a viagem.De cara pude sentir a diferença de temperatura no alaska,pela temperatura que eu estava sentindo,devia estar -10° e eu acho que ainda estava amenizando.O frio era realmente de congelar,a impressão que dava era que eu não aguentaria nem mesmo um dia naquele "gelo".Abri minha mala e coloquei um casaco por cima do que eu vestia quando saí do táxi,eu não estava suportando nem um pouco aquele frio todo.
Antes de entrarmos em casa,uma mulher alta e ruiva veio nos cumprimentar,ela aparentava 35 anos e era parecida com uma daquelas modelos mais velhas mas que ainda muito bonitas.
-Oi,então vocês são nossos novos vizinhos!-Começou ela,sorrindo.
-Sim,viemos passar uma temporada por aqui sim-Respondeu mamãe tentando parecer simpática e não transparecer sua aflição.
-Ah!entendi,então são vocês mesmos.Eu sou Shelly Mcgravy,prazer em conhecer vocês.
-Meu nome é Allison Obsidian e esse é meu filho Calleb,o prazer é todo nosso.Você mora aqui há muito tempo?
-Sim,desde que nasci.Meu marido morreu há um ano e eu resolvi mudar para essa casa um pouco menor.-Nesse momento,Shelly pareceu um pouco abalada mas ainda tentando manter-se simpática.
-Oh, sinto muito pelo seu marido.Eu entendo bem o que é isso,o meu também morreu há alguns anos,eu realmente sei como você se sente.
-Hum...entendo.Também sinto muito por seu marido.é realmente difícil perder alguém...qualquer coisa que precisar,eu moro naquela casa logo ao lado da sua.Qualquer coisa é só chamar.
-Muito obrigado,realmente agradecemos muito,eu espero sua visita qualquer dia.-Convidou mamãe.
-Sim,claro,aparecerei com certeza.Levarei minha filha Belle,ela vai ficar muito feliz em conhecer seu filho já que ela não tem amigos por aqui ,somente na escola.Você gostaria de conhecê-la,Calleb?
-Claro,acho que vai ser bom conhecer pelo menos alguém aqui.
-Então amanhã eu vou e vou trazê-la comigo,claro se você não se importar,Allison.
-Imagina!claro que não,venham quando quiserem.Belle é sua única filha?
-Bem...sim,somente a Belle.-Era realmente óbviu que a senhora Shelly não sabia esconder algo.Certamente qualquer um ficaria desconfiado do que ela disse,só pela hesitação.Fiquei realmente curioso sobre o que ela tinha dito mas resolvi não demonstrar interesse.
-Sim,leva-a amanhã lá,por favor.-Tentei disfarçar com um sorriso.
-Claro,amanhã eu a levarei sem falta.Ela estava mesmo reclamando que aqui não tem nenhum amigo,acho que ela vai adorar conhecer um novo amigo.Foi realmente um prazer conhecê-los.Agora eu tenho que ir.-Disse ela voltando para casa.
-O prazer foi todo nosso!-Repetiu mamãe.
Depois de falarmos com a senhora Shelly,entramos em casa.A casa era um pouco maior do que a nossa antiga,tinha 3 quartos,sendo 1 de hóspedes,uma cozinha extensa,1 banheiro em cada quarto,sala de estar,sala de jantar,uma varando com uma vista realmente interessante e uma garagem com espaço para dois carros.Acho que mamãe realmente desembolsou um bom dinheiro para comprar a casa.
Cheguei em casa e fui direto para meu quarto novo,o único ponto que eu achava positivo de se mudar várias vezes, era ter um quarto novo a cada mudança.A primeira vista o quarto me pareceu bem aconchegante,havia até mesmo uma lareira pequena bem legal.Comecei a pregar logo meus pôsters de filmes antes mesmo de arrumar as roupas no armário e como as paredes éram em um tom de cinza claro,os pôsters ficavam muito bem destacados.Esse certamente foi o melhoir quarto que já tive.Quando terminei de arrumar tudo já deviam ser umas 22 horas e eu estava um pouco cansado.Mamãe me chamou para jantar na hora certa,pois eu estava morrendo de fome e também queria fazer uma pergunta sutil a ela.
Desci até a sala de jantar e a mesa estava posta com a comida que eu mais gostava,macarrão ao alho e almôndega de carne.Certamente uma tentativa de mamãe de tentar me agradar,mas era a primeira vez que ela fazia isso logo depois de uma mudança.
-E aí,meu filho.O que achou?Fui aprovada?.-Começou ela.
-É,eu estava mesmo com muita fome,mãe.Muito obrigado.-Respondi,pondo o macarrão no prato dela e depois no meu.
-Mãe...gostaria de perguntar uma coisa para a senhora...não é nada,é só uma pergunta bem bobinha.-Resolvi ser direto.
-Sim.Oque foi, filho?
-Você acredita que possam existir alguma criatura anormal como um vampiro?-Depois dessa pergunta,mamãe ficou branca como uma folha de papel e até mesmo largou o garfo e faca.
Um dia antes de meu aniversário era exatamente um dia antes de começar o inverno.No dia vinte de dezembro,quando eu já havia me familiarizado com tudo da cidade, os lugares,amigos e etc.Geralmente era quando mamãe decidia que tínhamos que partir.Eu nunca podia comemorar meu aniversário com meus amigos.Sempre comemorava sozinho pois era recém chegado na cidade e realmente não conhecia ninguém,por isso,sempre odiei as cinco mudanças que já tivemos até hoje depois da morte do papai em um acidente de carro.Segundo mamãe,o acidente foi provocado por um motorista bêbado que avançou o sinal.mamãe teve leves ferimentos mas papai,como estava ao lado do impacto,acabou não resistindo,isso aconteceu quando eu tinha doze anos.
Quando eu estava prestes a fazer dezessete anos,no dia 20 de dezembro,um dia antes, como sempre eu estava no quarto,deitado na cama.Procurando por uma resposta que eu realmente não conseguia alcançar,éram dez horas da manhã e ouvi batidas na porta.
-Calleb,desça um pouco,filho.Preciso falar com você!.-Chamou calmamente mamãe,como sempre fazia quando essa época chegava.
-Já vou descer,mãe.Já estou indo!.-Respondi com uma voz desanimada que ela certamente percebeu mas como sempre ignoravam, como se nada estivesse acontecendo.
Levantei-me da cama,pus meus all stars azul escuros e desci em direção a sala de estar.Quando cheguei,mamãe estava sentada no sofá branco,com uma chícara de café na mesinha de madeira ao lado e uma revista local que ela assinava.
-O que foi,mãe?-Perguntei.Jogando novamente aquela voz desapontada, com uma tola esperança de que funcionasse como nunca funcionou.Nem ao menos me sentei pois já sabia bem a resposta.
-Filho...precisamos ir...sair dessa cidade...desse estado .-Disse ela com uma voz meio melancólica mas ao mesmo tempo firme.
-Você poderia ao menos me dizer o porque dessa vez,mãe?-Bradei eu.Impaciente.
-Acalme-se filho,sente-se.-Pediu ela com um pouco de angústia nos olhos,o que fez com que eu notasse que aquilo realmente não era a vontade dela.Me sentei jogando-me sobre o sofá preto que ficava logo á frente do branco,pois mamãe achou que daria um contraste na sala.
-Pois bem...-Continuou ela.-Aconteceram alguns problemas no trabalho e...
-Isso é o que você sempre me diz,mãe.Conte-me a verdade!-interrompi realmente ficando irritado.
-Essa é a verdade,meu filho.Arrume as suas malas,o vôo é ás 15:00.Isso lhe dará tempo de despedir-se de seus amigos e fazer o que tem que fazer.-Depois disso ela saiu logo em seguida,sem me dar a chance de retrucar ou protestar como eu sempre fazia.
Terminei de arrumar minhas malas ás 11:00 e almocei ás 11:30 para que pudesse ter tempo de me despedir dos poucos amigos que pude formar nesse curto período de tempo.Vesti minha camisa pólo azul escura e pus o casaco preto de couro de meu pai ,que ele me deu antes de morrer,atendendo a um pedido meu por venerar o casaco embora não cabesse em mim na época,agora servia perfeitamente.Vesti minha clássica calça jeans também escuro,peguei minha bicicleta na garagem e saí pedalando naquele frio fim de outono,passei por entre as árvores amarelo alaranjadas e as folhas pelo chão,ao mesmo tempo que o vento frio anunciava a chegada do outono,por isso as ruas estavam extremamente desertas mesmo estando em detroid,que logo deixaria de ser meu lar.Logo eu estaria deixando o Michigan mesmo.
Comecei a dar pedaladas mais rápidas pois o frio começara a ficar intenso.A primeira casa era a de Bob,que ficava a umas três quadras da minha.Era uma casa relativamente simples,pois a mãe de Bob era uma mulher bastante pobre,por isso a casa era completamente feita de madeira com exceção das janelas que óbviamente éram de vidro.Chegando perto da casa,pude ver Bob sentado no telhado da casa,com um olhar um tanto distante.
-Ei!Bob,pode descer aqui um instante?-chamei-o aos berros.Ele deu uma olhada para baixo e fez um sinal para que eu esperasse.Depois disso,ele entrou na janela superior da casa,pela qual tinha saído para ficar no telhado,segundo ele,um hobby nas horas vagas.Um minuto depois,vejo Bob sair pela porta da frente,com uma cara de quem estava se sentindo incomodado.
-E aí,cara.O que você manda?-Questionou Bob,tentando disfarçar seu total incômodo pela minha presença incômoda.
-Bom,Bob,lembra quando eu disse no começo do ano que minha mãe no inverno muda de estado?
-Lembro sim,cara.Você havia dito que ela do nada te falava que iria se mudar e pronto,não foi? Eu até achei que era brincadeira.-Respondeu ele,com outra pergunta ,tentando refrescar sua memória fraca.
-Sim,isso mesmo!
-Putz,deve ser uma barra aguentar ter que trocar de estado,colégio,amigos e etc.
-Você nem imagina.
-Mas isso logo logo passa.Daqui a pouco você vai estar indo para a faculdade e não vai mais precisar morar com sua mãe,daí você estará livre.
-É,pensando por esse lado...
-É,mas pensando por outro...-Interrompeu-me ele dando uns risinhos sarcásticos no final da frase.
-Como assim "pensando por outro"?que diabos você quer dizer com isso?-respondi meio alterado.
-você sabe!-Disse ele sorrindo.
-Não faço idéia do que você pode estar falando...fale mais claramente,sem enrolação.
-Tudo bem.E quanto a Jenny?
-Q...q...que Jenny??o que ela tem a ver com isso?
-Você parece um pimentão agora,sabia?-Concluiu ele aos berros de tanto gargalhar.
-Hum...certo,eu acho que você venceu dessa vez...-disse eu de cabeça baixa,entregando completamente o jogo.Desde que eu entrei no couldhouse high school,eu me encantei por Jenny Gail,uma colega de classe que um dia me ajudou com um trabalho de aritmética.Ela foi em minha casa e nós conversamos um pouco sobre o trabalho e sobre mim e ela de uma forma descontraída e despretenciosa.Desde esse dia eu venho guardado esse segredo a sete chaves,agora descoberto por Bob,e se ele percebeu,certamente mais pessoas devem ter a mesma opinião,o que me fez pensar por um momento se ela mesma já não havia notado.O que me desesperava completamente.
-Você acha que ela notou o que você notou?-Perguntei sem pensar.
-Bom,pelo pouco que conheço da Jenny,acho que ela diria ou expressaria algo se desconfiasse de alguma coisa,porém...
-"Porém" o quê?me diz logo,Bob!-Já estava ficando impaciente com a maneira com que Bob falava tudo e nada ao mesmo tempo,deixava as frases incompletas.Logo as mais importantes.
-Porém outra pessoa pode ter percebido assim como eu percebi.Sei lá,vai que foi uma amiga dela,pode muito bem passar pra ela,né?mas por agora acho que isso ainda não aconteceu.
-Ufa!quase tive um infarto agora!-disse eu,ofegante como se tivesse corrido dez maratonas.
-Mas nem sei por que você ainda se importa,uma vez que vai se mudar mesmo não faz diferença alguma.
-É verdade,acho que é força do hábito por eu ter guardado esse segredo durante o ano inteiro.Fiquei aficcionado nisso,eu acho.
-É,relaxa aí,cara,não tem o que temer.Quando você parte?
-Ás 15:00 esta tarde.Isso me fez lembrar que já estou atrasado para me despedir dos outros.Tô indo nessa,Bob!-Disse eu,esticando o braço para o aperto de mão de despedida.
-Bom,acho que é isso,Calleb,quando for "grande" venha me visitar-Brincou Bob esticando o braço de encontro com o meu.
Logo após dizer adeus a Bob,peguei minha bicicleta e voltei a estrada, a casa mais próxima seria a casa de Ryan,ficava a quatro quarteirões de Bob.A tarde caía e parece que já estava anoitecendo de tanto frio que estava fazendo.Pus o capus de couro que esquentava bem e continuei a pedalar.Tive a sensação de estar sendo seguido,mas olhei para trás e nada via,achei melhor começar a pedalar mais rápido ainda embora fosse perigoso com um chão tão úmido.Já podia ver a casa de Ryan de onde eu estava,era grande,com quintal espaçoso.Os pais de Ryan tinham uma boa condição apesar de ele não ligar muito para isso,a última vez que falei com ele,estava montando sua banda de rock heavy metal,era o estilo dele.
Mesmo estando perto da casa de Ryan,ainda pedalava sentindo aquela presença que parecia me fuzilar pelas costas e o frio não parava de ficar mais intenso.De repente minha bicicleta saiu do chão em um movimento como se eu tivesse passado por uma pedra grande,o tombo me jogou no chão com força e ainda me arrastou alguns centímetros,fazendo eu ralar a perna e ficar com uma dor desgraçada.Quando tentava me levantar,olhei para a frentee vi um homem com um casaco negro e calça jeans preta,pelo que vi,ele era alto,beirava 1,85 m ,tinha olhos grandes e pareciam vorazes,uma pele branca como o céu cheio de nuvens,tinha cabelos curtos negros e lisos jogados para trás,e me olhava de uma forma realmente assustadora.No momento em que pisquei,vi que ele não estava mais ali.Olheia para os lados e também não o vi,olhei para trás e a única coisa que pude sentir foi uma dor aguda e um impacto que fez novamente eu me espatifar no chão,dessa vez com muito mais violência do que quando caí com a bicicleta,acho que ele havia me dado um tapa,mas da forma como doeu e da forma como caí para trás constatei que a força realmente não era comum.
Levantei-me assustado e dolorido no rosto e na perna e a única coisa que pude pensar naquele momentoi foi correr,não importava se ele me alcançaria,eu só não queria estar mais ali.Corri em direção a casa de Ryan que estava mais perto mas quando dei o quinto passo,aquela figura estranha apareceu na minha frente de uma forma realmente impressionante.
-Quem é você?-Questionei eu,desesperadamente em uma tentativa de me me salvar.
-me responda uma pergunta...-respondeu ele com um sorriso assustadoramente sarcástico.
-Você costuma pedir pizza,certo?-Continuou ele.-Você costuma dizer seu nome a ela antes de comê-la?-Perguntou ele,com um sarcasmo assassino.Arregalei meus olhos diante daquela pessoa que definitivamente queria me matar e o desespero aumentou em cem por cento devido ao fato de eu não poder me desender e nem se quer fugir.
Em um movimento rapidamente executado para as minhas costas,ele segurou os meus dois braços e os apertou com uma força sobre humana olhei para trás,sabendo que aquele seria meu fim e vi que seus dentes caninos estavam extremamente vorpas e pareciam afiadíssimos como os dentes de um lobo ou coisa parecida.Parecia com os vampiros que vi em filmes e li em livros.Seus dentes lentamente chegavam até meu pescoço.
-Vai ser um grande prazer alimentar-me de sangue "real".-Disse ele como úlitimas palavras que eu ouviria.
-Real?Do que você está falando,cara?Por que não vai caçar alguém melhor,hein?Eu sou tão magro...-Tentava me afastar dele enquanto terminava a frase.
-Eu não me alimento de sua carne e sim do seu sangue...-Respondeu ele dando risadas.Ele se divertia com o meu desespero.
Fiquei sem forças e minha cabeça estava tão confusa ao mesmo tempo que extremamente desesperada.Ele encostou os dentes em meu pescoço mas não chegou a perfurá-lo.Eu suava frio e meus olhos estavam arregalados quando o chão começou a se quebrar rachando-se,as árvores balançavam de tal forma que parecia o prelúdio de um tornado.Senti seus dentes desencostando de minha pele e tive tempo de ouví-lo dizer-Que sorte você tem,pequeno príncipe vermelho,a cavalaria chegou bem na hora.Curta seus últimos momentos de vida...-Depois disso,desmaiei.
Acordei na casa de Ryan com ele e sua irmã Celline me observando.
-Ah!que bom que você acordou,Calleb!-Gritou Celline ao me ver abrir os olhos.
-Até que enfim,bela adormecida-Brincou Ryan.Enquanto eles falavam,eu pensava se deveria contar-lhes o que eu lembrava,mas pensei que mesmo se eu contasse ninguém acreditaria.
Como foi que vocês me encontraram?-Perguntei tentando mudar o rumo de uma conversa que eu não queria que começasse.
-Você estava caído de cara no chão frio e a bicicleta,jogada no chão.Achei que você estivesse sofrido um tombo feio e vi que estava um pouco ferido,então o trouxe para cá e cuidamos de você.-Explicou Ryan-O que aconteceu?-Questionou Ryan começando a conversa que tentei evitar antes.Na hora até pensei em contar tudo mas algo me dizia para mentir.
-Exatamente o que você supôs.Caí de bike no chão escorregadio de uma forma extremamente idiota e tosca.Nossa! quando penso no tombo tenho raiva de mim mesmo...-Menti tentando parecer o mais convincente possível e felizmente as evidências estavam do meu lado,ao menos evitavam que pensassem algo diferente.
-Nossa!parece que foi realmente um tombo feio.Pra você ter desacordado,o tombo deve ter sido bem feio.O mano disse que vocè quase não se feriu...-Celline tentava que eu explicasse melhor o que havia ocorrido.
-Bem,eu devo ter batido a cabeça,isso explica o meu desmaio e a causa de não haver tantos ferimentos e...CARAMBA!-Levantei-me depressa.-QUE HORAS SÃO?!
-Bom,agora são 14:30.-Respondeu Ryan.
-Que droga! esqueci completamente da viagem.Tenho de ir para casa imediatamente.-Saí com uma velocidade incrível para alguém que estava com a perna ralada e meio zonzo e abri a porta.
-Espera,cara! espera mais um pouco,você acabou de acordar!-Gritou Celline,preocupada.
-Não se preocupe,estou bem.Tenho que pegar um vôo mas um dia voltarei para visitar vocês.De lá eu mando um e-mail explicando tudo.Vou nessa!-Bati a porta e senti o choque térmico da temperatura do aquecedor para o rigoroso inverno que estava chegando fora da casa de Ryan,mesmo assim,corri como louco,peguei a bicicleta e pedalei rápido mas com um pouco mais de cautela.Ainda estava perplexo e assustado com tudo que havia acontecido,minha mente relutava em crer naquele que se dizia "vampiro" e tinha realmente a aparência de alguns que vi em filmes.
Depois de alguns minutos,já podia ver a minha casa e como imaginei,mamãe estava com as malas na porta me esperando e pela cara dela...
-O que aconteceu,Calleb?eu estava te esperando por quarenta minutos aqui.O que houve,você está todo sujo e com a calça rasgada...-Começou ela,preocupada.
-Bom,desculpe,mãe,eu tive alguns contratemposno caminho da casa dos meus amigos e acabei também levando um tombo.-É claro que eu não diria a verdade para mamãe,sei que ela explodiria se eu contasse algo assim.
-Como é?-Perguntou ela arregalando os olhos e começando a checar minha perna.-Você se machucou?-Continuou ela.
-Não foi nada,mãe,foram só arranhões,nada de mais.Não se preocupe.Agora vamos,já estamos extremamente atrasados.
-Certo,mas veremos isso com mais calma no avião.
-Tudo bem,mas agora só temos que ir.-Disse eu extremamente apressado.
Mamãe e eu entramos no carro,nosso velho Corsa classic 2005 verde-selva ,carro comprado por papai no ano de sua morte.Já estava um pouco ultrapassado para 2010,mas eu nunca deixei de adorar esse carro.
Pegamos a estrada principal e fomos direto ao aeroporto Charlie Dean o mais rápido possível,embora mamãe estivesse atenta pela pista úmida e cheia de possas d'agua pelo trajeto.Em menos de meia hora chegamos ao aeroporto.Não estava tão cheio então compramos a passagem desesperados pelo adiantado da hora, mas tivemos sorte pois o vôo atrasara por causa de previsão de tempestade.Logo depois de termos comprado nossa passagem,veio o aviso por meio dos funcionários que o vôo atrasariaem duas horas aproximadamente,então esperamos sentados nas cadeiras do aeroporto junto com mais vinte passageiros.
-Mãe!-Chamei-a de repente.
-O que foi,Calleb?
-Com toda essa confusão,esqueci até de perguntar onde iríamos.-Percebi naquela hora que nem mesmo havia me dado conta de que não sabia para onde iríamos.-Pra onde nós vamos?-Mamãe parou por um instante.
-Bear creek,fica no Alaska.-Revelou mamãe querendo não ter que revelar agora,pois sabia como eu ficaria.
-Como é?No Alaska?Quando pretendia me dizer que vou passar até o ano que vem no pior estado norte americano?-Fiquei realmente irritado com a notícia repentina.Já imaginava que iríamos para um estado frio mas a última opção seria realmente o Alaska.Mamãe parecia estar pirando.
-Se acalme,Calleb.Nós só vamos ficar lá uma temporada até eu achar um lugar melhor...
-Qualquer lugar é melhor que o canadá,mãe!-Interrompi.Depois disso,mamãe ficou calada até o fim da viagem com cara de quem não sabia o que dizer.
Chegamos ao aeroporto do alaska e logo tomamos um táxi para a casa nova.O caminho do aeroporto até em casa foi silencioso,nem eu nem mamãe falamos nada durante a viagem.De cara pude sentir a diferença de temperatura no alaska,pela temperatura que eu estava sentindo,devia estar -10° e eu acho que ainda estava amenizando.O frio era realmente de congelar,a impressão que dava era que eu não aguentaria nem mesmo um dia naquele "gelo".Abri minha mala e coloquei um casaco por cima do que eu vestia quando saí do táxi,eu não estava suportando nem um pouco aquele frio todo.
Antes de entrarmos em casa,uma mulher alta e ruiva veio nos cumprimentar,ela aparentava 35 anos e era parecida com uma daquelas modelos mais velhas mas que ainda muito bonitas.
-Oi,então vocês são nossos novos vizinhos!-Começou ela,sorrindo.
-Sim,viemos passar uma temporada por aqui sim-Respondeu mamãe tentando parecer simpática e não transparecer sua aflição.
-Ah!entendi,então são vocês mesmos.Eu sou Shelly Mcgravy,prazer em conhecer vocês.
-Meu nome é Allison Obsidian e esse é meu filho Calleb,o prazer é todo nosso.Você mora aqui há muito tempo?
-Sim,desde que nasci.Meu marido morreu há um ano e eu resolvi mudar para essa casa um pouco menor.-Nesse momento,Shelly pareceu um pouco abalada mas ainda tentando manter-se simpática.
-Oh, sinto muito pelo seu marido.Eu entendo bem o que é isso,o meu também morreu há alguns anos,eu realmente sei como você se sente.
-Hum...entendo.Também sinto muito por seu marido.é realmente difícil perder alguém...qualquer coisa que precisar,eu moro naquela casa logo ao lado da sua.Qualquer coisa é só chamar.
-Muito obrigado,realmente agradecemos muito,eu espero sua visita qualquer dia.-Convidou mamãe.
-Sim,claro,aparecerei com certeza.Levarei minha filha Belle,ela vai ficar muito feliz em conhecer seu filho já que ela não tem amigos por aqui ,somente na escola.Você gostaria de conhecê-la,Calleb?
-Claro,acho que vai ser bom conhecer pelo menos alguém aqui.
-Então amanhã eu vou e vou trazê-la comigo,claro se você não se importar,Allison.
-Imagina!claro que não,venham quando quiserem.Belle é sua única filha?
-Bem...sim,somente a Belle.-Era realmente óbviu que a senhora Shelly não sabia esconder algo.Certamente qualquer um ficaria desconfiado do que ela disse,só pela hesitação.Fiquei realmente curioso sobre o que ela tinha dito mas resolvi não demonstrar interesse.
-Sim,leva-a amanhã lá,por favor.-Tentei disfarçar com um sorriso.
-Claro,amanhã eu a levarei sem falta.Ela estava mesmo reclamando que aqui não tem nenhum amigo,acho que ela vai adorar conhecer um novo amigo.Foi realmente um prazer conhecê-los.Agora eu tenho que ir.-Disse ela voltando para casa.
-O prazer foi todo nosso!-Repetiu mamãe.
Depois de falarmos com a senhora Shelly,entramos em casa.A casa era um pouco maior do que a nossa antiga,tinha 3 quartos,sendo 1 de hóspedes,uma cozinha extensa,1 banheiro em cada quarto,sala de estar,sala de jantar,uma varando com uma vista realmente interessante e uma garagem com espaço para dois carros.Acho que mamãe realmente desembolsou um bom dinheiro para comprar a casa.
Cheguei em casa e fui direto para meu quarto novo,o único ponto que eu achava positivo de se mudar várias vezes, era ter um quarto novo a cada mudança.A primeira vista o quarto me pareceu bem aconchegante,havia até mesmo uma lareira pequena bem legal.Comecei a pregar logo meus pôsters de filmes antes mesmo de arrumar as roupas no armário e como as paredes éram em um tom de cinza claro,os pôsters ficavam muito bem destacados.Esse certamente foi o melhoir quarto que já tive.Quando terminei de arrumar tudo já deviam ser umas 22 horas e eu estava um pouco cansado.Mamãe me chamou para jantar na hora certa,pois eu estava morrendo de fome e também queria fazer uma pergunta sutil a ela.
Desci até a sala de jantar e a mesa estava posta com a comida que eu mais gostava,macarrão ao alho e almôndega de carne.Certamente uma tentativa de mamãe de tentar me agradar,mas era a primeira vez que ela fazia isso logo depois de uma mudança.
-E aí,meu filho.O que achou?Fui aprovada?.-Começou ela.
-É,eu estava mesmo com muita fome,mãe.Muito obrigado.-Respondi,pondo o macarrão no prato dela e depois no meu.
-Mãe...gostaria de perguntar uma coisa para a senhora...não é nada,é só uma pergunta bem bobinha.-Resolvi ser direto.
-Sim.Oque foi, filho?
-Você acredita que possam existir alguma criatura anormal como um vampiro?-Depois dessa pergunta,mamãe ficou branca como uma folha de papel e até mesmo largou o garfo e faca.
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